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Por que às vezes a oração não é eficaz?
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9 de Fevereiro de 2017 / 0 Comentários
 
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Redação (Quinta-feira, 09-02-2017, Gaudium Press) Que sem a oração ninguém se salva, já sabemos, nos disseram os melhores moralistas da Igreja em seus dois mil anos de história.

A oração é um requisito para entrar no céu, pois é com a oração que pedimos as graças para salvar-nos. E sem graça, sem essa especial ajuda de Deus, ninguém se salva. Então, em um ato de caridade, devemos rezar pelos que não oram para que orem. Primeiro ponto.

Entretanto, é bom recordar também que nem toda oração vale. Há certa forma de orar que não somente não serve para nada, mas que pode ser prejudicial.

Por que às vezes a oração não é eficaz.png
Recordemos antes que a oração é uma "conversa" com Deus, e por isso não podemos ser mal educados com Aquele interlocutor. Se nesse diálogo com o Senhor nos distraímos de forma voluntária, isso "constitui um verdadeiro pecado de irreverência, que, segundo o Doutor Angélico, impede o fruto da oração (83,13 ad 3)". (1) Rememoremos o que dizia Santa Teresa: "Quem tivesse costume de falar com a majestade de Deus como falaria com seu escravo que nem olha se diz mal, mas o que se vem à boca e tem aprendido por fazê-lo outras vezes, não tenho por oração, nem agrada a Deus que nenhum cristão o tenha desta sorte". (2)

Então se vamos falar com Deus é com Deus; o mesmo que criou o Céu e a Terra, que é cândido como uma pomba, mas terrível como um furacão que arrasa tudo por onde passa; que é doce e refrescante como a brisa de uma tarde primaveril em uma cidade costeira, mas que é também avassalador e imponente como a lava incandescente que sai de um vulcão em erupção: Que não nos esqueça!

O objetivo da oração, é -inclusive por cima de nossa necessidade de obter a ajuda divina-, o de render tributo ao Senhor, reconhecer sua glória, e esse reconhecimento amá-lo e amá-lo acima de tudo. Se a oração consegue despertar o amor a Deus, o resto se dá por acréscimo.

Então, orações mecânicas, nas quais nossa mente e coração não estão dirigidos a Deus, aquelas que parecem mais a de uma gravação que se repete, não servem para muito. O primeiro, pois, que devemos pedir a Deus na oração é que nos dê a capacidade de fazer uma boa oração, e esta é aquela que nos acende no fervor, no amor a Ele, pelas múltiplas razões que devemos amá-lo: Não somente por tudo o que nos dá, e por tudo o que lhe devemos, mas acima disso por tudo o que Ele é.

Como acender esse fervor? Primeiro, pedindo a Deus, já o dissemos.

Segundo, alimentando nosso espírito com boas leituras, por exemplo de vida de Santos. Estes pensamentos florescerão na oração, e focalizarão nossa atenção em Deus e nas razões para amá-lo.

Terceiro, recordando o muito que devemos a Deus, que sem Ele não somos nada, que nossa salvação depende de que Ele nos ajude. E também tendo presente que se lhe pedimos com as devidas condições Ele irá nos atender e que neste sentido a oração é infalível.

A oração é uma ocasião ao alcance de todos para ter uma audiência a sós com o mais poderoso dos soberanos, alguém que não somente nos admite em sua presença, mas que está disposto a conceder-nos tudo o que lhe peçamos na linha do bem. Esses pensamentos nos devem levar a orar muito, e fazê-lo bem.

Finalmente um pensamento sobre o quanto se deve orar, expresso pela magnífica pluma do Padre Antonio Royo Marín, que resume a São Tomás: "A quantidade de uma coisa qualquer deve ser proporcional ao fim para o qual se ordena, como a quantidade de remédio que tomamos é nem mais nem menos que o necessário para a saúde. De onde se conclui que a oração deve durar todo o tempo que seja necessário para excitar o fervor interior, e não mais". (3) Se muito queremos pedir, ou se muito devemos a Deus, pois é comum que muito devamos orar, sem que a oração seja desculpa para cumprir outros deveres.

Mas cuidado, fervor não é sinônimo de sensibilidade: fervor neste contexto é movimento da vontade até Deus, não consolações doces dos sentidos. Às vezes se sentirão na oração essas visitas deliciosas do Senhor na alma, mas às vezes não. Depende do que Deus quer dar, a cada um, em cada momento.

E também é certo que a oração às vezes pode ser penosa, ou requerer um certo esforço. É claro, se um monarca poderosíssimo nos concede audiência, pois a preparação dessa visita requer que nos esforcemos na preparação da mesma, em nossa apresentação pessoal, no pensar as coisas que diremos, etc. Mas também é certo que com muita frequência, já na Sala de Audiências, seremos aureolados com os doces e castos prazeres que traz o deixar-nos conquistar pela presença desse distinto, bondoso e grande Monarca.

Por Saúl Castiblanco

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho
___

(1) Royo Marín, Antonio. OP. Teología de la Perfección Cristiana. Biblioteca de Autores Cristianos. 7ma. Edición. Madrid. 1994. p. 655.
(2) Moradas Primeras I, 7
(3) Royo Marín. Op. Cit. p. 656

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Por que às vezes a oração não é eficaz?

Redação (Quinta-feira, 09-02-2017, Gaudium Press) Que sem a oração ninguém se salva, já sabemos, nos disseram os melhores moralistas da Igreja em seus dois mil anos de história.

A oração é um requisito para entrar no céu, pois é com a oração que pedimos as graças para salvar-nos. E sem graça, sem essa especial ajuda de Deus, ninguém se salva. Então, em um ato de caridade, devemos rezar pelos que não oram para que orem. Primeiro ponto.

Entretanto, é bom recordar também que nem toda oração vale. Há certa forma de orar que não somente não serve para nada, mas que pode ser prejudicial.

Por que às vezes a oração não é eficaz.png
Recordemos antes que a oração é uma "conversa" com Deus, e por isso não podemos ser mal educados com Aquele interlocutor. Se nesse diálogo com o Senhor nos distraímos de forma voluntária, isso "constitui um verdadeiro pecado de irreverência, que, segundo o Doutor Angélico, impede o fruto da oração (83,13 ad 3)". (1) Rememoremos o que dizia Santa Teresa: "Quem tivesse costume de falar com a majestade de Deus como falaria com seu escravo que nem olha se diz mal, mas o que se vem à boca e tem aprendido por fazê-lo outras vezes, não tenho por oração, nem agrada a Deus que nenhum cristão o tenha desta sorte". (2)

Então se vamos falar com Deus é com Deus; o mesmo que criou o Céu e a Terra, que é cândido como uma pomba, mas terrível como um furacão que arrasa tudo por onde passa; que é doce e refrescante como a brisa de uma tarde primaveril em uma cidade costeira, mas que é também avassalador e imponente como a lava incandescente que sai de um vulcão em erupção: Que não nos esqueça!

O objetivo da oração, é -inclusive por cima de nossa necessidade de obter a ajuda divina-, o de render tributo ao Senhor, reconhecer sua glória, e esse reconhecimento amá-lo e amá-lo acima de tudo. Se a oração consegue despertar o amor a Deus, o resto se dá por acréscimo.

Então, orações mecânicas, nas quais nossa mente e coração não estão dirigidos a Deus, aquelas que parecem mais a de uma gravação que se repete, não servem para muito. O primeiro, pois, que devemos pedir a Deus na oração é que nos dê a capacidade de fazer uma boa oração, e esta é aquela que nos acende no fervor, no amor a Ele, pelas múltiplas razões que devemos amá-lo: Não somente por tudo o que nos dá, e por tudo o que lhe devemos, mas acima disso por tudo o que Ele é.

Como acender esse fervor? Primeiro, pedindo a Deus, já o dissemos.

Segundo, alimentando nosso espírito com boas leituras, por exemplo de vida de Santos. Estes pensamentos florescerão na oração, e focalizarão nossa atenção em Deus e nas razões para amá-lo.

Terceiro, recordando o muito que devemos a Deus, que sem Ele não somos nada, que nossa salvação depende de que Ele nos ajude. E também tendo presente que se lhe pedimos com as devidas condições Ele irá nos atender e que neste sentido a oração é infalível.

A oração é uma ocasião ao alcance de todos para ter uma audiência a sós com o mais poderoso dos soberanos, alguém que não somente nos admite em sua presença, mas que está disposto a conceder-nos tudo o que lhe peçamos na linha do bem. Esses pensamentos nos devem levar a orar muito, e fazê-lo bem.

Finalmente um pensamento sobre o quanto se deve orar, expresso pela magnífica pluma do Padre Antonio Royo Marín, que resume a São Tomás: "A quantidade de uma coisa qualquer deve ser proporcional ao fim para o qual se ordena, como a quantidade de remédio que tomamos é nem mais nem menos que o necessário para a saúde. De onde se conclui que a oração deve durar todo o tempo que seja necessário para excitar o fervor interior, e não mais". (3) Se muito queremos pedir, ou se muito devemos a Deus, pois é comum que muito devamos orar, sem que a oração seja desculpa para cumprir outros deveres.

Mas cuidado, fervor não é sinônimo de sensibilidade: fervor neste contexto é movimento da vontade até Deus, não consolações doces dos sentidos. Às vezes se sentirão na oração essas visitas deliciosas do Senhor na alma, mas às vezes não. Depende do que Deus quer dar, a cada um, em cada momento.

E também é certo que a oração às vezes pode ser penosa, ou requerer um certo esforço. É claro, se um monarca poderosíssimo nos concede audiência, pois a preparação dessa visita requer que nos esforcemos na preparação da mesma, em nossa apresentação pessoal, no pensar as coisas que diremos, etc. Mas também é certo que com muita frequência, já na Sala de Audiências, seremos aureolados com os doces e castos prazeres que traz o deixar-nos conquistar pela presença desse distinto, bondoso e grande Monarca.

Por Saúl Castiblanco

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho
___

(1) Royo Marín, Antonio. OP. Teología de la Perfección Cristiana. Biblioteca de Autores Cristianos. 7ma. Edición. Madrid. 1994. p. 655.
(2) Moradas Primeras I, 7
(3) Royo Marín. Op. Cit. p. 656

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/85231-Por-que-as-vezes-a-oracao-nao-e-eficaz-. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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