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O perdão versus a vingança
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15 de Janeiro de 2018 / 0 Comentários
 
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Redação (Segunda-feira, 15-01-2018, Gaudium Press) Nos encontramos em meio a uma crise que "tem suas raízes no coração humano" (Gadium et spes, 10), que "redunda também na vida religiosa" (Idem, 4). E por ser profundamente religiosa, é inevitavelmente uma crise moral. Diante disso, os pais de família, educadores e legisladores de todo o mundo debatem a criação de um manual de normas morais práticas, que recomendem a virtude e desaprovem os vícios. Acontece que, na "ditadura do relativismo" que vivemos, segundo as sábias palavras de Bento XVI, se faz difícil a distinção entre o bem e o mal. É por isso indispensável uma autêntica e eficaz formação moral. Não podemos nos concentrar somente em uma formação acadêmica excelente e esquecer o outro. Isso seria de pouco valor se não estivesse acompanhado, e destacadamente, de um treinamento da vontade e do coração, orientando-os a uma vida conforme a Lei de Deus.

O perdão versus a vingança.jpg
Quero, ao começar este ano de 2018, destacar aspectos que nos podem ajudar a enfrentar as situações que tivemos que enfrentar no ano que acabou de terminar. Temos vivido -ou tomado conhecimento através das notícias -as sérias consequências na vida social, e também na familiar, dos nefastos efeitos da raiva e da vingança, resultantes de rancores, brigas, desentendimentos.

Caminhamos para trás no tempo, por mais que consideremos estar na "pós-modernidade". Nos encontramos novamente no "olho por olho, dente por dente" da lei de Talião; sistema de vida anterior à chegada de Nosso Senhor Jesus Cristo. O ódio, a vingança, o não perdoar, o não pedir perdão, marcavam estas "civilizações". Os criminosos eram punidos por esta lei de Talião, isto é: tal crime, tal pena. No entanto, geralmente, a retaliação era com danos maiores que os recebidos. Esta lei, antes da vida de barbárie desses momentos, estabelecia um equilíbrio recíproco nos castigos. Mas falta o perdão; atitude que naquela época era considerada uma fraqueza.

Santo Agostinho afirmou, no final de sua vida, que havia encontrado no livro do Eclesiástico, "mais recursos para a vida espiritual do que em qualquer outro livro do Antigo Testamento". Poderíamos considerar de instrução espiritual já que, "em sua maioria apresenta um conjunto de normas morais sumamente úteis e proveitosas que compreendem todas as virtudes e se refere a todas as circunstâncias e as mais diversas classes sociais, pelo que resulta um precioso tratado ascético espiritual" (Bíblia Comentada. BAC, IV, p. 1072).

Não deixa de impressionar a radicalidade do Eclesiástico ao afirmar que: "aquele que se vingar será vítima da vingança do Senhor, que lhe pedirá exata conta de seus pecados" (28, 1-4). Severa advertência, dizendo que Deus castigará com rigor seus pecados. Para evitar isso dá o bom conselho de: "manter-se longe das contendas e dos que as promovem" (28, 10). Pois delas, nascem as rivalidades e as vinganças.

Em nosso caminhar por este mundo encontramos corações cheios de ódio, vingança, ira; com seus nefastos efeitos na vida familiar, na amizade ou no trabalho.

Discutem os homens considerando as razões da violência no mundo; no entanto, poucos conseguem chegar ao núcleo do problema. Parecem não compreender que abandonaram os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo que dizia: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (Mt 11, 29). O Divino Salvador veio substituir a antiga e dura lei de Talião, incitando o amor ao próximo, amando como se ama a si mesmo. Amor - é importante ressaltar - que nasce de um amor profundo a Deus.

Podemos afirmar, sem medo de sermos desmentidos que, o centro de todos os males que sofremos está na perda da disposição de perdoar "de todo coração" (Mt 18, 33). Deixamos de ser "mansos e humildes de coração". Ocorrido isto, o convívio humano torna-se insustentável, e os homens se lançam uns contra os outros, como "feras", em uma selvageria incompreensível. Por que? Porque não viveram, em suas casas ou em seus ambientes, um convívio autenticamente afetuoso, quer dizer: não viveram a tão benigna, mas pouco exercida e ensinada, caridade fraterna. Eles não souberam seguir os ensinamentos de São Paulo: "revesti suas inclinações de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, sofrimento, suportando-os e perdoando-os, mutuamente sempre que alguém der a outro motivo de queixa" (Col 3, 12-13).

Quão maravilhosa é a parábola do filho pródigo que decide voltar à casa paterna. A seu pai, ao vê-lo à distância, "se comoveram as entranhas"; correndo em direção a ele, "jogou-se em volta de seu pescoço, cobriu-o de beijos" e lhe fez uma festa. Que maravilha de perdão, mas também, que beleza da atitude arrependida por parte do filho que estava perdido: "Pai, eu pequei contra o céu e contra ti" (Lc 15, 11-31).

Bem, dizia Monsenhor João Scognamiglio Clá Días, fundador dos Arautos do Evangelho, que: "a imitação do nosso Criador, precisamos perdoar de tal maneira que esqueçamos a ofensa recebida", pois, "não é na riqueza ou no poder, mas na capacidade de perdoar que a pessoa manifesta a verdadeira grandeza de alma".

A mais bela oração, a única que nos foi ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai Nosso, nos ensina isso: "perdoa nossas ofensas", mas... colocando a condição: "assim como nós perdoamos aqueles que nos ofenderam". Pois se não perdoarmos uma falta cometida contra nós, como vamos pedir o perdão de Deus por nossos pecados? É inevitável, "porque sereis julgado como julgas aos outros, e a medida que useis, a usarão com você" (Mt 7, 2).

Assim, queridos leitores, vamos começar hoje - no início deste ano venturoso no qual estamos entrando - por nós mesmos. "Vesti-vos da caridade que é o vínculo da perfeição" (Col 3, 14). Esta será a semente que semearemos nos corações de crianças e jovens com nosso testemunho. Talvez não vejamos os efeitos imediatos no âmbito social convulsionado que nos rodeia, mas, com o tempo vislumbraremos o nascimento da tão aguardada paz nas famílias e na sociedade.

Por Padre Fernando Gioia, EP
www.reflexionando.org

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

(Publicado originalmente em La Prensa Gráfica de El Salvador. 14 de janeiro de 2018)

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O perdão versus a vingança

Redação (Segunda-feira, 15-01-2018, Gaudium Press) Nos encontramos em meio a uma crise que "tem suas raízes no coração humano" (Gadium et spes, 10), que "redunda também na vida religiosa" (Idem, 4). E por ser profundamente religiosa, é inevitavelmente uma crise moral. Diante disso, os pais de família, educadores e legisladores de todo o mundo debatem a criação de um manual de normas morais práticas, que recomendem a virtude e desaprovem os vícios. Acontece que, na "ditadura do relativismo" que vivemos, segundo as sábias palavras de Bento XVI, se faz difícil a distinção entre o bem e o mal. É por isso indispensável uma autêntica e eficaz formação moral. Não podemos nos concentrar somente em uma formação acadêmica excelente e esquecer o outro. Isso seria de pouco valor se não estivesse acompanhado, e destacadamente, de um treinamento da vontade e do coração, orientando-os a uma vida conforme a Lei de Deus.

O perdão versus a vingança.jpg
Quero, ao começar este ano de 2018, destacar aspectos que nos podem ajudar a enfrentar as situações que tivemos que enfrentar no ano que acabou de terminar. Temos vivido -ou tomado conhecimento através das notícias -as sérias consequências na vida social, e também na familiar, dos nefastos efeitos da raiva e da vingança, resultantes de rancores, brigas, desentendimentos.

Caminhamos para trás no tempo, por mais que consideremos estar na "pós-modernidade". Nos encontramos novamente no "olho por olho, dente por dente" da lei de Talião; sistema de vida anterior à chegada de Nosso Senhor Jesus Cristo. O ódio, a vingança, o não perdoar, o não pedir perdão, marcavam estas "civilizações". Os criminosos eram punidos por esta lei de Talião, isto é: tal crime, tal pena. No entanto, geralmente, a retaliação era com danos maiores que os recebidos. Esta lei, antes da vida de barbárie desses momentos, estabelecia um equilíbrio recíproco nos castigos. Mas falta o perdão; atitude que naquela época era considerada uma fraqueza.

Santo Agostinho afirmou, no final de sua vida, que havia encontrado no livro do Eclesiástico, "mais recursos para a vida espiritual do que em qualquer outro livro do Antigo Testamento". Poderíamos considerar de instrução espiritual já que, "em sua maioria apresenta um conjunto de normas morais sumamente úteis e proveitosas que compreendem todas as virtudes e se refere a todas as circunstâncias e as mais diversas classes sociais, pelo que resulta um precioso tratado ascético espiritual" (Bíblia Comentada. BAC, IV, p. 1072).

Não deixa de impressionar a radicalidade do Eclesiástico ao afirmar que: "aquele que se vingar será vítima da vingança do Senhor, que lhe pedirá exata conta de seus pecados" (28, 1-4). Severa advertência, dizendo que Deus castigará com rigor seus pecados. Para evitar isso dá o bom conselho de: "manter-se longe das contendas e dos que as promovem" (28, 10). Pois delas, nascem as rivalidades e as vinganças.

Em nosso caminhar por este mundo encontramos corações cheios de ódio, vingança, ira; com seus nefastos efeitos na vida familiar, na amizade ou no trabalho.

Discutem os homens considerando as razões da violência no mundo; no entanto, poucos conseguem chegar ao núcleo do problema. Parecem não compreender que abandonaram os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo que dizia: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (Mt 11, 29). O Divino Salvador veio substituir a antiga e dura lei de Talião, incitando o amor ao próximo, amando como se ama a si mesmo. Amor - é importante ressaltar - que nasce de um amor profundo a Deus.

Podemos afirmar, sem medo de sermos desmentidos que, o centro de todos os males que sofremos está na perda da disposição de perdoar "de todo coração" (Mt 18, 33). Deixamos de ser "mansos e humildes de coração". Ocorrido isto, o convívio humano torna-se insustentável, e os homens se lançam uns contra os outros, como "feras", em uma selvageria incompreensível. Por que? Porque não viveram, em suas casas ou em seus ambientes, um convívio autenticamente afetuoso, quer dizer: não viveram a tão benigna, mas pouco exercida e ensinada, caridade fraterna. Eles não souberam seguir os ensinamentos de São Paulo: "revesti suas inclinações de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, sofrimento, suportando-os e perdoando-os, mutuamente sempre que alguém der a outro motivo de queixa" (Col 3, 12-13).

Quão maravilhosa é a parábola do filho pródigo que decide voltar à casa paterna. A seu pai, ao vê-lo à distância, "se comoveram as entranhas"; correndo em direção a ele, "jogou-se em volta de seu pescoço, cobriu-o de beijos" e lhe fez uma festa. Que maravilha de perdão, mas também, que beleza da atitude arrependida por parte do filho que estava perdido: "Pai, eu pequei contra o céu e contra ti" (Lc 15, 11-31).

Bem, dizia Monsenhor João Scognamiglio Clá Días, fundador dos Arautos do Evangelho, que: "a imitação do nosso Criador, precisamos perdoar de tal maneira que esqueçamos a ofensa recebida", pois, "não é na riqueza ou no poder, mas na capacidade de perdoar que a pessoa manifesta a verdadeira grandeza de alma".

A mais bela oração, a única que nos foi ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai Nosso, nos ensina isso: "perdoa nossas ofensas", mas... colocando a condição: "assim como nós perdoamos aqueles que nos ofenderam". Pois se não perdoarmos uma falta cometida contra nós, como vamos pedir o perdão de Deus por nossos pecados? É inevitável, "porque sereis julgado como julgas aos outros, e a medida que useis, a usarão com você" (Mt 7, 2).

Assim, queridos leitores, vamos começar hoje - no início deste ano venturoso no qual estamos entrando - por nós mesmos. "Vesti-vos da caridade que é o vínculo da perfeição" (Col 3, 14). Esta será a semente que semearemos nos corações de crianças e jovens com nosso testemunho. Talvez não vejamos os efeitos imediatos no âmbito social convulsionado que nos rodeia, mas, com o tempo vislumbraremos o nascimento da tão aguardada paz nas famílias e na sociedade.

Por Padre Fernando Gioia, EP
www.reflexionando.org

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

(Publicado originalmente em La Prensa Gráfica de El Salvador. 14 de janeiro de 2018)

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/92430-O-perdao-versus-a-vinganca. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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