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Santo Antônio do qual se fala bastante, e muito ainda se tem o que dizer
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13 de Junho de 2019 / 0 Comentários
 
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Redação (Quinta-feira, 13-06-2019, Gaudium Press) Fala-se bastante de Santo Antônio. Fala-se de aspectos de sua vida que são importantes, que não são de modo algum desprezíveis, porém, fala-se insuficientemente de outras características da alma e da vida deste Santo que, depois da Santíssima Virgem, e o mais invocado em todo o mundo.

Santo Antônio do qual se fala bastante, e muito ainda se tem o que dizer-Foto Franciscanos.jpg

Por exemplo, jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de Santo Antônio de Pádua sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente da nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento.
Santo Antônio as teve, mas dele fala-se pouco ou insuficientemente.

Vejamos alguns pontos sobre os quais pouco se comenta desse Santo extraordinário que não é de Lisboa, nem de Pádua, mas do Mundo todo...

Renúncia à própria vontade

Decorridos apenas cinco meses de noviciado, conseguiu ser enviado para a terra que dera os primeiros mártires à OrdemFranciscana.

Pensava ter chegado ao auge de sua peleja terrestre e já antegozava a palma do martírio. No entanto, a Providência queria dele uma luta mais longa e difícil, cujo primeiro passo consistia na inteira renúncia à própria vontade.

Pouco depois de desembarcar em solo africano, fortes febres o acometeram, tornando-o incapaz de qualquer atividade, e o superior enviou-o de volta à Europa.

Na viagem de retorno, o navio foi arrastado por uma tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio dirigiu-se a Assis, onde se realizaria um Capítulo Geral da Ordem, nas vésperas de Pentecostes de 1221, presidido pelo próprio São Francisco.

Encerrada a Assembleia, sendo ainda desconhecido no meio daquela multidão de frades, pediu ao Provincial de Romandiola que o acolhesse como subalterno, e passou a viver no Eremitério de São Paulo. Ignorando sua linhagem e formação, deram-lhe a função de ajudante de cozinha, a qual assumiu sem titubear.

Deste modo, passou longos meses no mais completo anonimato, tendo por cela uma gruta e tudo aceitando sem a menor reclamação.

Quem ousaria afirmar ser esta vitória sobre si mesmo inferior à alcançada pelos mártires do Marrocos?

Pregador destemido

"Não devemos ficar calados diante do mal".

Bem poderíamos resumir com estas palavras do Papa Bento XVI as pregações do nosso santo.

Dotado de devoção, eloquência e rara memória - conhecia de cor as Escrituras -, Frei Antônio atraía multidões às suas pregações.

Destemido, não tinha receio de reprovar os erros de seus ouvintes, ainda que se tratasse de autoridades civis ou eclesiásticas.

Certa vez interpelou publicamente um Bispo que se adornava de forma vaidosa: "Tenho algo a dizer a ti que usas a mitra!".E censurou-lhe suas faltas. O culpado derramou abundantes lágrimas e mudou de conduta.

Também não hesitou em enfrentar o cruel governador Ezzelino, indo à procura dele em Verona.

Percebendo a profundidade teológica dos sermões de Frei Antônio e a santidade de sua conduta, os demais frades pediram autorização a São Francisco para que aquele irmão lhes ensinasse a sacra doutrina.

Até então, o santo fundador havia se mostrado contrário a que os franciscanos se dedicassem aos estudos, com receio de se desviarem do carisma da Ordem e arrefecerem na vida espiritual. Todavia, conhecedor das virtudes desse seu filho espiritual, acedeu ao pedido dos frades, escrevendo ao santo:
"Julgo conveniente que ensines a nossos irmãos a Sagrada Teologia; desde que eles não negligenciem, por este estudo, o espírito da santa oração, de acordo com a regra que professamos".

Missão na França influenciada pela heresia

Pouco durou o magistério junto aos seus irmãos, pois, em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense.

Durante três anos percorreu as cidades de Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges, levando-lhes a luz da verdadeira Fé.

De muitos dos seus ouvintes recebeu manifestações de sincero arrependimento; de outros, desprezo e zombaria, apesar de serem acompanhadas suas pregações por numerosos milagres.

Em Toulouse, por exemplo, um cátaro que persistia em negar a presença real de Cristo na Eucaristia propôs-lhe um desafio: durante três dias deixaria uma mula sem qualquer alimento, e a levaria depois para a praça pública, onde Frei Antônio lhe apresentaria a custódia com o Santíssimo Sacramento, enquanto o herege lhe ofereceria um monte de feno.

Assim se fez e o animal, ainda que faminto, não provou o alimento sem antes fazer uma profunda reverência a Jesus Eucarístico.
Muitos se converteram à vista de tamanho milagre.

Fidelidade ao carisma

Em 1227, Frei Antônio deixou definitivamente a França.

Tendo sido convocado para um novo Capítulo Geral da Ordem, o primeiro a realizar-se após a morte do seráfico fundador, foi eleito Superior Provincial da Emilia-Romagna, região na qual o santo passaria os quatro últimos anos de sua vida.

A cidade de Pádua, sede do Provincialato, recebeu em abundância o calor de suas palavras e as manifestações de sua bondade para com todos.

Com incansável solicitude visitou também Ferrara, Bolonha, Florença, Cremona, Bérgamo, Bréscia e Trento, levantando novos conventos, impondo hábitos aos noviços e, sobretudo, dando a todos o exemplo da santa pobreza.
Deus havia retirado do mundo o Poverello, mas deixara a um "segundo Francisco" a tarefa de lutar para conservar a chama de sua obra.

Os benefícios de sua santidade não se circunscreviam ao âmbito dos frades menores, pois se estendiam a toda a população.

Não havia igreja capaz de comportar as multidões - às vezes 20 mil fiéis - que acorriam para ouvi-lo.

E o próprio Papa Gregório IX, após ouvir uma de suas pregações de Quaresma, chamou-o de "Arca do Testamento" e de "Escrínio das Sagradas Escrituras".

Tantas atividades, contudo, eram entremeadas por períodos de recolhimento, nos quais restaurava, na contemplação, as forças para a ação.

Encantava-lhe para isso o abençoado Monte Alverne, onde seu santo fundador recebera os sagrados estigmas, lugar grandioso e propício para o contato com o sobrenatural. Ali passou o inverno de 1228.

Outros pontos ainda mais teríamos para serem aqui trazidos, porém, se estes fatos apontados aqui despertam o desejo de conhecer outros, alcançamos nosso objetivo.

Não faltará oportunidade para falarmos de Santo Antônio, sobretudo na vida dele não faltará o que narrar.

(JSG)

 

 

 

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Santo Antônio do qual se fala bastante, e muito ainda se tem o que dizer

Redação (Quinta-feira, 13-06-2019, Gaudium Press) Fala-se bastante de Santo Antônio. Fala-se de aspectos de sua vida que são importantes, que não são de modo algum desprezíveis, porém, fala-se insuficientemente de outras características da alma e da vida deste Santo que, depois da Santíssima Virgem, e o mais invocado em todo o mundo.

Santo Antônio do qual se fala bastante, e muito ainda se tem o que dizer-Foto Franciscanos.jpg

Por exemplo, jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de Santo Antônio de Pádua sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente da nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento.
Santo Antônio as teve, mas dele fala-se pouco ou insuficientemente.

Vejamos alguns pontos sobre os quais pouco se comenta desse Santo extraordinário que não é de Lisboa, nem de Pádua, mas do Mundo todo...

Renúncia à própria vontade

Decorridos apenas cinco meses de noviciado, conseguiu ser enviado para a terra que dera os primeiros mártires à OrdemFranciscana.

Pensava ter chegado ao auge de sua peleja terrestre e já antegozava a palma do martírio. No entanto, a Providência queria dele uma luta mais longa e difícil, cujo primeiro passo consistia na inteira renúncia à própria vontade.

Pouco depois de desembarcar em solo africano, fortes febres o acometeram, tornando-o incapaz de qualquer atividade, e o superior enviou-o de volta à Europa.

Na viagem de retorno, o navio foi arrastado por uma tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio dirigiu-se a Assis, onde se realizaria um Capítulo Geral da Ordem, nas vésperas de Pentecostes de 1221, presidido pelo próprio São Francisco.

Encerrada a Assembleia, sendo ainda desconhecido no meio daquela multidão de frades, pediu ao Provincial de Romandiola que o acolhesse como subalterno, e passou a viver no Eremitério de São Paulo. Ignorando sua linhagem e formação, deram-lhe a função de ajudante de cozinha, a qual assumiu sem titubear.

Deste modo, passou longos meses no mais completo anonimato, tendo por cela uma gruta e tudo aceitando sem a menor reclamação.

Quem ousaria afirmar ser esta vitória sobre si mesmo inferior à alcançada pelos mártires do Marrocos?

Pregador destemido

"Não devemos ficar calados diante do mal".

Bem poderíamos resumir com estas palavras do Papa Bento XVI as pregações do nosso santo.

Dotado de devoção, eloquência e rara memória - conhecia de cor as Escrituras -, Frei Antônio atraía multidões às suas pregações.

Destemido, não tinha receio de reprovar os erros de seus ouvintes, ainda que se tratasse de autoridades civis ou eclesiásticas.

Certa vez interpelou publicamente um Bispo que se adornava de forma vaidosa: "Tenho algo a dizer a ti que usas a mitra!".E censurou-lhe suas faltas. O culpado derramou abundantes lágrimas e mudou de conduta.

Também não hesitou em enfrentar o cruel governador Ezzelino, indo à procura dele em Verona.

Percebendo a profundidade teológica dos sermões de Frei Antônio e a santidade de sua conduta, os demais frades pediram autorização a São Francisco para que aquele irmão lhes ensinasse a sacra doutrina.

Até então, o santo fundador havia se mostrado contrário a que os franciscanos se dedicassem aos estudos, com receio de se desviarem do carisma da Ordem e arrefecerem na vida espiritual. Todavia, conhecedor das virtudes desse seu filho espiritual, acedeu ao pedido dos frades, escrevendo ao santo:
"Julgo conveniente que ensines a nossos irmãos a Sagrada Teologia; desde que eles não negligenciem, por este estudo, o espírito da santa oração, de acordo com a regra que professamos".

Missão na França influenciada pela heresia

Pouco durou o magistério junto aos seus irmãos, pois, em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense.

Durante três anos percorreu as cidades de Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges, levando-lhes a luz da verdadeira Fé.

De muitos dos seus ouvintes recebeu manifestações de sincero arrependimento; de outros, desprezo e zombaria, apesar de serem acompanhadas suas pregações por numerosos milagres.

Em Toulouse, por exemplo, um cátaro que persistia em negar a presença real de Cristo na Eucaristia propôs-lhe um desafio: durante três dias deixaria uma mula sem qualquer alimento, e a levaria depois para a praça pública, onde Frei Antônio lhe apresentaria a custódia com o Santíssimo Sacramento, enquanto o herege lhe ofereceria um monte de feno.

Assim se fez e o animal, ainda que faminto, não provou o alimento sem antes fazer uma profunda reverência a Jesus Eucarístico.
Muitos se converteram à vista de tamanho milagre.

Fidelidade ao carisma

Em 1227, Frei Antônio deixou definitivamente a França.

Tendo sido convocado para um novo Capítulo Geral da Ordem, o primeiro a realizar-se após a morte do seráfico fundador, foi eleito Superior Provincial da Emilia-Romagna, região na qual o santo passaria os quatro últimos anos de sua vida.

A cidade de Pádua, sede do Provincialato, recebeu em abundância o calor de suas palavras e as manifestações de sua bondade para com todos.

Com incansável solicitude visitou também Ferrara, Bolonha, Florença, Cremona, Bérgamo, Bréscia e Trento, levantando novos conventos, impondo hábitos aos noviços e, sobretudo, dando a todos o exemplo da santa pobreza.
Deus havia retirado do mundo o Poverello, mas deixara a um "segundo Francisco" a tarefa de lutar para conservar a chama de sua obra.

Os benefícios de sua santidade não se circunscreviam ao âmbito dos frades menores, pois se estendiam a toda a população.

Não havia igreja capaz de comportar as multidões - às vezes 20 mil fiéis - que acorriam para ouvi-lo.

E o próprio Papa Gregório IX, após ouvir uma de suas pregações de Quaresma, chamou-o de "Arca do Testamento" e de "Escrínio das Sagradas Escrituras".

Tantas atividades, contudo, eram entremeadas por períodos de recolhimento, nos quais restaurava, na contemplação, as forças para a ação.

Encantava-lhe para isso o abençoado Monte Alverne, onde seu santo fundador recebera os sagrados estigmas, lugar grandioso e propício para o contato com o sobrenatural. Ali passou o inverno de 1228.

Outros pontos ainda mais teríamos para serem aqui trazidos, porém, se estes fatos apontados aqui despertam o desejo de conhecer outros, alcançamos nosso objetivo.

Não faltará oportunidade para falarmos de Santo Antônio, sobretudo na vida dele não faltará o que narrar.

(JSG)

 

 

 

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/103592-Santo-Antonio-do-qual-se-fala-bastante--e-muito-ainda-se-tem-o-que-dizer. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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