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Artigo: Mais uma vez a Princesa
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5 de Maio de 2011 / 0 Comentários
 
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Alguns dias após o interessante encontro com a Princesa de Travancore, na Igreja dos Carmelitas, em Trivandrum, outra oportunidade surgiu para novo contato. Uma advogada católica, líder de uma numerosa comunidade leiga, e amiga das missionárias, incentivou-as a procurar pessoalmente a princesa, garantindo-lhes que esta as receberia com muito agrado, por ser pessoa muito educada e culta. Dito e feito. Com um simples telefonema foi marcada a audiência.

Foto Luxagraf.jpg
Udaipur City Palace, na Índia/ Foto: Luxagraf

Kowdiar Palace, nome oficial de uma das residências dos soberanos do Kerala, situa-se a pouca distância do centro de Trivandrum. Está rodeado por densa floresta. Seus imponentes portões abrem-se para uma construção concluída em 1915, em estilo inglês. A ampla avenida que conduz à entrada passa sob árvores centenárias, povoadas de pássaros e lindas borboletas, abundantes no clima úmido da Índia. Uma despretensiosa escadaria conduz a um amplo hall, em cuja parede do fundo há duas magníficas colunas de alabastro, iluminadas por dentro, e que servem de moldura a um imponente quadro representando um dos antigos reis do Kerala. Deste hall saem vários corredores amplos, que conduzem às diversas alas da construção. Guiadas por um cerimonioso, desconfiado e bem nutrido servidor, as missionárias foram atravessando diversos salões. Com passo curto, que lhes permitia observar a opulenta decoração do palácio, chegaram, afinal, a uma sala pequena, decorada com simplicidade e conforto, amplamente iluminada pela luz solar.

A princesa fez-se esperar alguns minutos, como que dando tempo ao espírito de suas visitantes para se prepararem para a entrevista.

Já no primeiro contato, durante o evento em que conheceram a princesa, viram que, pelo tema tratado, ela não era uma princesa de conto de fadas. Pelo contrário, era atuante na sociedade, tinha senso crítico agudo e ar de quem, caso houvesse oportunidade, não negaria participação na vida política da nação.

Ei-la que entra. Trajada com simplicidade surpreendente para os costumes do país - um simples saree de algodão cru e um único fio de ouro ao pescoço - de estatura média para alta, esguia, de tez morena clara, saudou as visitantes em um elegante inglês britânico. Seus luminosos olhos negros não se fixavam inteiramente de frente em suas interlocutoras, mas vinham como que de baixo para cima, escondendo-se um pouco sob as espessas sobrancelhas. No início, tantos detalhes para observar, tornavam-se difíceis até mesmo as corriqueiras conversas indispensáveis nessas ocasiões. Era ainda necessário não dar a entender que se estava fazendo um inquérito, uma investigação, ou um mapeamento do lugar. A etiqueta exigia naturalidade e compostura, qualidades que a anfitriã tinha de sobra.

A conversa foi fluida e agradável, e depois de comentar as impressões que a cultura e a paisagem causavam nas visitantes, estas ofereceram à Princesa um CD com cantos gregorianos. A etiqueta milenar deste país pede que um presente sempre seja oferecido com ambas as mãos e que assim também seja recebido. Com uma elegantíssima vênia a Princesa o aceitou, e, ainda de acordo com a tradição, não o abriu. Situação embaraçosa para as missionárias, que tinham em vista retribuir, com alguma ocasião para a Graça agir, a gentileza de que tinham sido objeto na palestra. Ocorreu-lhes, então, dizer que as músicas daquele CD eram em algo semelhantes à melodia entoada pela Princesa no início da cerimônia nos Carmelitas. Interessada, pediu perdão por abrir o presente, e quis conhecer o conteúdo. Como não tivesse ali um aparelho para isso, pediu que lhe aclarassem o que diziam as melodias e que as cantassem.

Era a Graça! Em poucas palavras lhe explicaram a Ave Maria, entoando em seguida a melodia. Na verdade, as próprias missionárias se emocionaram um pouco, pois tudo indicava ser a primeira vez que aquelas paredes ouviam o canto de saudação do Anjo à Mãe de Deus, e a fisionomia de sua anfitriã lhes sugeria que ela estava tocada em suas cordas mais íntimas. E não se enganaram. A partir daí, a conversa foi uma série de confidências, de manifestações de consonância, de desejos de alçar voos de alma.

Recordando certos momentos do passado em que havia sido tocada por Graças semelhantes, a Princesa se emocionou.

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Laxmi Vilas Palace, em Vadadora, na Índia/ Foto: Emmanuel Dyan

A entrevista, que deveria durar uns vinte minutos, já se prolongava por uma hora e meia. Com muita distinção, lembrou-se a anfitriã de que, talvez, suas visitantes tivessem outros compromissos, e nobremente as despediu, com as delicadas manifestações de afeto de que o povo indiano é mestre, sem muitas palavras, mas com muitos olhares e suaves gestos de cabeça, e sugerindo ocasiões para novos contatos.

Ressurge neste momento, de trás de uma parede, o servidor desconfiado, já com um largo sorriso no rosto escuro e fazendo mil vênias às missionárias. Chamou um dos pitorescos rickshaws para conduzi-las de volta à sua residência, e seus acenos entusiasmados eram o índice de que sua senhora tinha ficado extremamente agradada, e por isso ele agradecia também.

Bem mais bonito do que em um conto de fadas, não é? Aqui, a Graça divina estava presente.

Pouco tempo depois, as missionárias tiveram que deixar o país, mas a lembrança desta princesa ficou nos seus corações e nas suas orações.

 

Elizabeth Kiram

 

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Artigo: Mais uma vez a Princesa

 

Alguns dias após o interessante encontro com a Princesa de Travancore, na Igreja dos Carmelitas, em Trivandrum, outra oportunidade surgiu para novo contato. Uma advogada católica, líder de uma numerosa comunidade leiga, e amiga das missionárias, incentivou-as a procurar pessoalmente a princesa, garantindo-lhes que esta as receberia com muito agrado, por ser pessoa muito educada e culta. Dito e feito. Com um simples telefonema foi marcada a audiência.

Foto Luxagraf.jpg
Udaipur City Palace, na Índia/ Foto: Luxagraf

Kowdiar Palace, nome oficial de uma das residências dos soberanos do Kerala, situa-se a pouca distância do centro de Trivandrum. Está rodeado por densa floresta. Seus imponentes portões abrem-se para uma construção concluída em 1915, em estilo inglês. A ampla avenida que conduz à entrada passa sob árvores centenárias, povoadas de pássaros e lindas borboletas, abundantes no clima úmido da Índia. Uma despretensiosa escadaria conduz a um amplo hall, em cuja parede do fundo há duas magníficas colunas de alabastro, iluminadas por dentro, e que servem de moldura a um imponente quadro representando um dos antigos reis do Kerala. Deste hall saem vários corredores amplos, que conduzem às diversas alas da construção. Guiadas por um cerimonioso, desconfiado e bem nutrido servidor, as missionárias foram atravessando diversos salões. Com passo curto, que lhes permitia observar a opulenta decoração do palácio, chegaram, afinal, a uma sala pequena, decorada com simplicidade e conforto, amplamente iluminada pela luz solar.

A princesa fez-se esperar alguns minutos, como que dando tempo ao espírito de suas visitantes para se prepararem para a entrevista.

Já no primeiro contato, durante o evento em que conheceram a princesa, viram que, pelo tema tratado, ela não era uma princesa de conto de fadas. Pelo contrário, era atuante na sociedade, tinha senso crítico agudo e ar de quem, caso houvesse oportunidade, não negaria participação na vida política da nação.

Ei-la que entra. Trajada com simplicidade surpreendente para os costumes do país - um simples saree de algodão cru e um único fio de ouro ao pescoço - de estatura média para alta, esguia, de tez morena clara, saudou as visitantes em um elegante inglês britânico. Seus luminosos olhos negros não se fixavam inteiramente de frente em suas interlocutoras, mas vinham como que de baixo para cima, escondendo-se um pouco sob as espessas sobrancelhas. No início, tantos detalhes para observar, tornavam-se difíceis até mesmo as corriqueiras conversas indispensáveis nessas ocasiões. Era ainda necessário não dar a entender que se estava fazendo um inquérito, uma investigação, ou um mapeamento do lugar. A etiqueta exigia naturalidade e compostura, qualidades que a anfitriã tinha de sobra.

A conversa foi fluida e agradável, e depois de comentar as impressões que a cultura e a paisagem causavam nas visitantes, estas ofereceram à Princesa um CD com cantos gregorianos. A etiqueta milenar deste país pede que um presente sempre seja oferecido com ambas as mãos e que assim também seja recebido. Com uma elegantíssima vênia a Princesa o aceitou, e, ainda de acordo com a tradição, não o abriu. Situação embaraçosa para as missionárias, que tinham em vista retribuir, com alguma ocasião para a Graça agir, a gentileza de que tinham sido objeto na palestra. Ocorreu-lhes, então, dizer que as músicas daquele CD eram em algo semelhantes à melodia entoada pela Princesa no início da cerimônia nos Carmelitas. Interessada, pediu perdão por abrir o presente, e quis conhecer o conteúdo. Como não tivesse ali um aparelho para isso, pediu que lhe aclarassem o que diziam as melodias e que as cantassem.

Era a Graça! Em poucas palavras lhe explicaram a Ave Maria, entoando em seguida a melodia. Na verdade, as próprias missionárias se emocionaram um pouco, pois tudo indicava ser a primeira vez que aquelas paredes ouviam o canto de saudação do Anjo à Mãe de Deus, e a fisionomia de sua anfitriã lhes sugeria que ela estava tocada em suas cordas mais íntimas. E não se enganaram. A partir daí, a conversa foi uma série de confidências, de manifestações de consonância, de desejos de alçar voos de alma.

Recordando certos momentos do passado em que havia sido tocada por Graças semelhantes, a Princesa se emocionou.

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Laxmi Vilas Palace, em Vadadora, na Índia/ Foto: Emmanuel Dyan

A entrevista, que deveria durar uns vinte minutos, já se prolongava por uma hora e meia. Com muita distinção, lembrou-se a anfitriã de que, talvez, suas visitantes tivessem outros compromissos, e nobremente as despediu, com as delicadas manifestações de afeto de que o povo indiano é mestre, sem muitas palavras, mas com muitos olhares e suaves gestos de cabeça, e sugerindo ocasiões para novos contatos.

Ressurge neste momento, de trás de uma parede, o servidor desconfiado, já com um largo sorriso no rosto escuro e fazendo mil vênias às missionárias. Chamou um dos pitorescos rickshaws para conduzi-las de volta à sua residência, e seus acenos entusiasmados eram o índice de que sua senhora tinha ficado extremamente agradada, e por isso ele agradecia também.

Bem mais bonito do que em um conto de fadas, não é? Aqui, a Graça divina estava presente.

Pouco tempo depois, as missionárias tiveram que deixar o país, mas a lembrança desta princesa ficou nos seus corações e nas suas orações.

 

Elizabeth Kiram

 

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/25923-Artigo--Mais-uma-vez-a-Princesa. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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