Loading
 
 
 
Loading
 
Vinte e quatro horas eucarísticas
Loading
 
7 de Maio de 2018 / 0 Comentários
 
Imprimir
 
 

Redação (Segunda-feira, 07-05-2018, Gaudium Press) Em relação à Sagrada Comunhão, o que será mais importante: a preparação ou a ação de graças? É claro que ambas são fundamentais, mas há razões para distinguir, valorizar e hierarquizar cada uma das duas situações.

Vinte e quatro horas eucarísticas.jpg

O célebre e douto teólogo dominicano contemporâneo Frei Antonio Royo Marín, nos dá a resposta. Em seu livro publicado pela Biblioteca de Autores Cristianos (BAC) que leva o sugestivo título "Ser ou não ser santo... Esta é a questão", diz Royo Marín citando ao seu mestre, São Tomás: "Para o grau de graça que nos aumentará o sacramento por si mesmo (ex opere operato) é mais importante a preparação que a ação de graças depois de tê-lo recebido; porque esse efeito 'ex opere operato' o produz o sacramento uma só vez, no momento de recebê-lo e, por isso mesmo, está diretamente relacionado com as disposições atuais da alma que se aproxima para comungar, não pelas que possam se ter depois".

O que a primeira vista poderia parecer demasiado sutil ou técnico, se compreende facilmente dando um exemplo.

Quando vamos receber em nossa casa a um visitante importante, dispomos as coisas da melhor maneira possível: a limpeza cuidadosa, a ordem da sala, tudo organizado para que quem nos honra com a visita se sinta à vontade, e tenha a melhor impressão. Devemos pensar nos detalhes, como um bom presente floral e até, eventualmente, a concessão de um presente para que a visita leve uma recordação indelével daquele dia. Como receber em casa a um Chefe de Estado, por exemplo, com descuido e precipitação? Não é possível!

Pelo fato de chegar até nós, essa hipotética pessoa ilustre nos privilegia. Se valorizamos o gesto de quem assim nos dignifica, o hóspede ficará plenamente satisfeito... e o anfitrião também!

Agora, apliquemos o caso não a um soberano da terra ou a um presidente eleito democraticamente... Pensemos no Rei dos reis e Senhor dos senhores, criador e dono de tudo o que existe.

O encontro com Jesus se dá em plenitude durante a comunhão sacramental. Também se realiza um encontro, ainda que de outra forma, na visita que se faz em sua capela de adoração ou junto ao sacrário onde está sempre à nossa espera. As disposições para recebê-lo ou para visitar-lhe são basicamente as mesmas; sim, porque é o mesmo Senhor que vem até mim e ao qual vou à sua presença. No fato de recebê-lo, serei o anfitrião e Ele será meu hóspede. E no tempo em que vou adorar-lhe, o anfitrião será Ele, e eu o visitante a quem condescende dar audiência. Em ambos encontros, sucede um acontecimento de máxima transcendência. Daí, a importância de dispor-me da melhor maneira possível para o encontro que será o mais importante do dia... ou até da vida.

Quanto a ação de graças, é claro que será tanto melhor feita, quanto a disposição prévia a recebê-la tenha sido cuidadosamente elaborada. É lógico.

Lastimosamente, não é assim como habitualmente os fiéis percebem um encontro com o Senhor na Eucaristia. Porque em geral, em relação à comunhão sacramental, se dá mais importância à ação de graças que à preparação. Com efeito, se chega junto ao Santíssimo apresuradamente, trazendo em nossa bagagem uma boa dose de agitação, afãs mundanos e muita superficialidade.

E somente depois do maravilhoso momento do encontro, recém-começamos a pensar (se é que verdadeiramente caímos em si...) no sucedido. Então, é a hora em que chovem os pedidos ou de manifestar o que queremos dizer-lhe ao Senhor; quase que valorizando mais nossas prioridades pessoais que o fato de ter-lhe acolhido e de ser Ele quem é!

Se não preparamos devidamente o encontro e começamos a relação sem dar-lhe todo o devido valor, provavelmente o colóquio será demasiado pobre...

O valor da preparação e da ação de graças em relação ao encontro com o Senhor na Eucaristia, nos faz pensar na imagem que usa Jesus, quando nos ensina no Evangelho que devemos construir uma casa sobre a rocha e não sobre areia (Lc. 6, 48-49).

Uma comunhão baseada sobre a rocha, é a que se vai preparando. Aquela descuidada, sem delicadeza nem afeto, é a que se faz sobre areia: a Fé é avarenta e não motiva a adoração. A humildade é superficial, nada concorde com a aclamação "Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa". Não se mede o tamanho infinito do amor que aninha o Coração de Cristo. E, claro, a pouca fome e sede de união e de comunhão, não somente indispõem ao adorador, mas entristece ao que tanto amou aos homens e não encontrou neles mais que ingratidão, segundo a queixa do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarita Maria.

É claro que ninguém jamais estará à altura de um encontro com Nosso Senhor. Mas já que Ele veio pelos pecadores e pelos enfermos (Lc 5, 31-32), há que confessar-se doente e culpado, e dizer como o leproso do Evangelho: "Senhor, se queres, podes limpar-me" (Lc 5, 12).

Ao acolher ao Senhor, digamos que lhe esperávamos com ânsias e que lhe amamos muito. O que Ele nos diga ou obre, não depende de nós; isso é coisa dEle.

Na realidade, a preparação e a ação de graças deveriam ocupar as vinte e quatro horas do dia, fazendo assim de nossa vida uma homenagem ininterrupta a Jesus presente na Eucaristia. Não é outra coisa o que se pede ao Espírito Santo na Oração Eucarística número III do Missal Romano: "Que Ele nos transforme em oferenda permanente".

Assunção, maio de 2018
Por Padre Rafael Ibarguren EP

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

Loading
Vinte e quatro horas eucarísticas

Redação (Segunda-feira, 07-05-2018, Gaudium Press) Em relação à Sagrada Comunhão, o que será mais importante: a preparação ou a ação de graças? É claro que ambas são fundamentais, mas há razões para distinguir, valorizar e hierarquizar cada uma das duas situações.

Vinte e quatro horas eucarísticas.jpg

O célebre e douto teólogo dominicano contemporâneo Frei Antonio Royo Marín, nos dá a resposta. Em seu livro publicado pela Biblioteca de Autores Cristianos (BAC) que leva o sugestivo título "Ser ou não ser santo... Esta é a questão", diz Royo Marín citando ao seu mestre, São Tomás: "Para o grau de graça que nos aumentará o sacramento por si mesmo (ex opere operato) é mais importante a preparação que a ação de graças depois de tê-lo recebido; porque esse efeito 'ex opere operato' o produz o sacramento uma só vez, no momento de recebê-lo e, por isso mesmo, está diretamente relacionado com as disposições atuais da alma que se aproxima para comungar, não pelas que possam se ter depois".

O que a primeira vista poderia parecer demasiado sutil ou técnico, se compreende facilmente dando um exemplo.

Quando vamos receber em nossa casa a um visitante importante, dispomos as coisas da melhor maneira possível: a limpeza cuidadosa, a ordem da sala, tudo organizado para que quem nos honra com a visita se sinta à vontade, e tenha a melhor impressão. Devemos pensar nos detalhes, como um bom presente floral e até, eventualmente, a concessão de um presente para que a visita leve uma recordação indelével daquele dia. Como receber em casa a um Chefe de Estado, por exemplo, com descuido e precipitação? Não é possível!

Pelo fato de chegar até nós, essa hipotética pessoa ilustre nos privilegia. Se valorizamos o gesto de quem assim nos dignifica, o hóspede ficará plenamente satisfeito... e o anfitrião também!

Agora, apliquemos o caso não a um soberano da terra ou a um presidente eleito democraticamente... Pensemos no Rei dos reis e Senhor dos senhores, criador e dono de tudo o que existe.

O encontro com Jesus se dá em plenitude durante a comunhão sacramental. Também se realiza um encontro, ainda que de outra forma, na visita que se faz em sua capela de adoração ou junto ao sacrário onde está sempre à nossa espera. As disposições para recebê-lo ou para visitar-lhe são basicamente as mesmas; sim, porque é o mesmo Senhor que vem até mim e ao qual vou à sua presença. No fato de recebê-lo, serei o anfitrião e Ele será meu hóspede. E no tempo em que vou adorar-lhe, o anfitrião será Ele, e eu o visitante a quem condescende dar audiência. Em ambos encontros, sucede um acontecimento de máxima transcendência. Daí, a importância de dispor-me da melhor maneira possível para o encontro que será o mais importante do dia... ou até da vida.

Quanto a ação de graças, é claro que será tanto melhor feita, quanto a disposição prévia a recebê-la tenha sido cuidadosamente elaborada. É lógico.

Lastimosamente, não é assim como habitualmente os fiéis percebem um encontro com o Senhor na Eucaristia. Porque em geral, em relação à comunhão sacramental, se dá mais importância à ação de graças que à preparação. Com efeito, se chega junto ao Santíssimo apresuradamente, trazendo em nossa bagagem uma boa dose de agitação, afãs mundanos e muita superficialidade.

E somente depois do maravilhoso momento do encontro, recém-começamos a pensar (se é que verdadeiramente caímos em si...) no sucedido. Então, é a hora em que chovem os pedidos ou de manifestar o que queremos dizer-lhe ao Senhor; quase que valorizando mais nossas prioridades pessoais que o fato de ter-lhe acolhido e de ser Ele quem é!

Se não preparamos devidamente o encontro e começamos a relação sem dar-lhe todo o devido valor, provavelmente o colóquio será demasiado pobre...

O valor da preparação e da ação de graças em relação ao encontro com o Senhor na Eucaristia, nos faz pensar na imagem que usa Jesus, quando nos ensina no Evangelho que devemos construir uma casa sobre a rocha e não sobre areia (Lc. 6, 48-49).

Uma comunhão baseada sobre a rocha, é a que se vai preparando. Aquela descuidada, sem delicadeza nem afeto, é a que se faz sobre areia: a Fé é avarenta e não motiva a adoração. A humildade é superficial, nada concorde com a aclamação "Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa". Não se mede o tamanho infinito do amor que aninha o Coração de Cristo. E, claro, a pouca fome e sede de união e de comunhão, não somente indispõem ao adorador, mas entristece ao que tanto amou aos homens e não encontrou neles mais que ingratidão, segundo a queixa do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarita Maria.

É claro que ninguém jamais estará à altura de um encontro com Nosso Senhor. Mas já que Ele veio pelos pecadores e pelos enfermos (Lc 5, 31-32), há que confessar-se doente e culpado, e dizer como o leproso do Evangelho: "Senhor, se queres, podes limpar-me" (Lc 5, 12).

Ao acolher ao Senhor, digamos que lhe esperávamos com ânsias e que lhe amamos muito. O que Ele nos diga ou obre, não depende de nós; isso é coisa dEle.

Na realidade, a preparação e a ação de graças deveriam ocupar as vinte e quatro horas do dia, fazendo assim de nossa vida uma homenagem ininterrupta a Jesus presente na Eucaristia. Não é outra coisa o que se pede ao Espírito Santo na Oração Eucarística número III do Missal Romano: "Que Ele nos transforme em oferenda permanente".

Assunção, maio de 2018
Por Padre Rafael Ibarguren EP

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/95019-Vinte-e-quatro-horas-eucaristicas. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

Deixe seu comentário
O seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados (*) são obrigatórios.



 
Loading
GaudiumRightPubli
Loading

As Irmãs Elizabeth e Gabriela, membros do convento das Irmãs de Santa Elizabeth, são as protagoni ...
 
Os jesuítas dirigiram seis dos últimos sete retiros espirituais dos Bispos espanhóis. ...
 
Com o tema “Comunicação, Democracia e Responsabilidade Social”, o encontro acontecerá no Cent ...
 
As atividades do evento serão concentradas na Paróquia Santa Cruz e Santa. Edwiges, na Capital Fed ...
 
Em Mensagem, Papa pede a bispos na Igreja da Ásia: unidade e integridade da fé. ...
 
Loading


O que estão twitando sobre o

Loading


 
 

Loading

Loading