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Com uma das mãos trabalhavam, com a outra seguravam a arma
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17 de Abril de 2017 / 0 Comentários
 
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Redação (Segunda-feira, 17-04-2017, Gaudium Press) Esdras começara a reerguer as muralhas de Jerusalém, mas as intrigas dos samaritanos impediram a obra. Esses fatos chegaram ao conhecimento de Neemias, que residia na Pérsia, onde exercia importantes funções junto ao Rei Artaxerxes Longímano, o qual reinou de 465 a 424 a. C.

Neemias organiza a defesa

Neemias vestiu-se de luto, jejuou, rezou e começou a agir sapiencialmente. Dirigiu-se ao monarca e pediu-lhe licença para se desligar de seu cargo, por certo tempo. Artaxerxes o dispensou e o nomeou governador da Judeia - que era, então, uma província persa - e deu-lhe as madeiras necessárias para a reconstrução das muralhas, bem como uma escolta de soldados. Escreve Neemias: "O Rei concedeu-me tudo, pois a bondosa mão de Deus me protegia" (2, 8).

Chegando a Jerusalém, Neemias inicia os trabalhos; até mesmo o sumo sacerdote Eliasib e os outros sacerdotes puseram mãos à obra (cf. Ne 3, 1).

Porém os inimigos do povo eleito começaram insultar os que trabalhavam na reconstrução. Entre aqueles se destacavam dois indivíduos, um dos quais era provavelmente o governador da Samaria, e o outro era seu secretário, que se chamava Tobias. Neemias não desanimou, mas rezou a Deus, dizendo: "Faze recair os insultos sobre suas cabeças. Entrega-os como presa em terras de cativeiro" (Ne 3, 36).

O valoroso Neemias continuou as obras e as muralhas atingiram certa altura. Então os samaritanos, apoiados por árabes e grupos de outros povos, "conspiraram todos para marchar contra Jerusalém" (Ne 4, 2).

Neemias organizou a defesa: dispôs os homens, "divididos por famílias, todos com espadas, lanças e arcos" (Ne 4, 7). E disse-lhes: Não tenhais medo! "Lembrai-vos do Senhor, que é grande e temível" (Ne 4, 8).

A partir desse dia, os carregadores "com uma das mãos faziam o trabalho, com a outra seguravam a arma. Os construtores tinham cada qual a espada presa à cintura, enquanto trabalhavam" (Ne 4, 11-12). E assim exerciam suas funções desde a madrugada até o início da noite.

"A alegria do Senhor será a vossa força"

Além das dificuldades exteriores, Neemias encontrou obstáculos provenientes dos próprios judeus: a usura praticada de uma maneira ignominiosa e cruel, que ele desconhecia, pois fora nomeado recentemente governador de Judá. Neemias ataca corajosamente esse abuso e o elimina.

Os inimigos fazem outras urdiduras para perder Neemias, mas ele não se deixa enganar (cf. Ne 6, 1-14). E, empregando todo esforço na construção das muralhas, Neemias conclui a obra.

Logo depois, o povo se reuniu numa das praças de Jerusalém e o santo sacerdote Esdras fez a leitura do Livro da Lei, "desde o amanhecer até ao meio-dia [...] Todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei" (Ne 8, 3.9), porque se recordavam das muitas e graves transgressões que haviam praticado. Mas Esdras e Neemias disseram-lhes que deveriam ficar tranquilos, e acrescentaram:

"A alegria do Senhor será a vossa força" (Ne 8, 10). Ou seja, a alegria das festas religiosas fortifica a alma para as provas que virão.

Procissões sobre as muralhas

Nos dias posteriores, foram celebradas outras festas, ao término das quais os levitas fizeram uma belíssima oração a Deus; destacamos este trecho relativo aos hebreus que saíram do Egito, guiados por Moisés, rumo à Terra Prometida:

"Por quarenta anos no deserto os sustentaste, sem que nada lhes faltasse. As roupas não se gastaram, nem incharam os seus pés" (Ne 9, 21).

Assim também nós devemos sempre nos recordar das graças que recebemos, e agradecer a Nosso Senhor, por meio de Maria Santíssima.

Por fim, sacerdotes, levitas e os notáveis de Judá assinaram um documento comprometendo-se a cumprir todas as determinações da Lei, em particular rejeitar as uniões matrimoniais com os pagãos. E o restante do povo jurou solenemente observar a Lei mosaica (cf. Ne 10, 29-30).

Aproximadamente doze anos após o término da construção das muralhas, realizou-se uma grande solenidade com procissões sobre os muros, encabeçadas pelo santo sacerdote Esdras e por Neemias - as muralhas das cidades antigas eram geralmente largas -, acompanhadas de cânticos e músicas tocadas por címbalos, cítaras e harpas. E finalmente foram oferecidos sacrifícios (cf. Ne 12, 27-43).

Neemias permaneceu em Jerusalém durante 12 anos. O prazo da licença concedida pelo Rei Artaxerxes havia terminado, e ele precisou voltar para a Pérsia; mas conseguiu nova autorização e efetuou uma segunda viagem à cidade santa (cf. Ne 13, 6).

Escândalo no lugar santo

Na ausência de Neemias, o sumo sacerdote Eliasib, sendo parente do supracitado Tobias, pôs à disposição deste uma grande sala de um dos aposentos anexos ao Templo. Esse indivíduo, que era amonita - portanto não judeu -, fizera grandes zombarias contra Neemias, quando este iniciou sua obra de reconstrução das muralhas de Jerusalém (cf. Ne 2, 10 e 3, 35).

Escreve Neemias: Quando "tomei conhecimento do mal feito por Eliasib [...] cheio de indignação atirei os trastes de Tobias fora da sala, para a rua, e mandei que aquelas dependências fossem purificadas" (13, 7-9).

A admirável combatividade de Neemias continuou a se manifestar. Tendo visto judeus que se casaram com mulheres idólatras, escreve ele: "Eu os censurei, os amaldiçoei, até bati em alguns deles, os agarrei pelos cabelos [...] Acaso não foi por isso que Salomão, Rei de Israel, se tornou pecador? " (Ne 13, 25-26). Ou seja, Salomão caiu até na idolatria...

E a um desses transgressores, que era neto do sumo sacerdote Eliasib, "escorracei para longe de mim" porque tais transgressores eram responsáveis pela "conspurcação do sacerdócio e da aliança" (Ne 13, 28-29).

E assim termina o Livro de Neemias, o qual "denota uma alma valente, profundamente devotada à glória de Deus e ao bem da nação judaica, não recuando diante de nenhum obstáculo [...] Neemias é um dos mais ilustres personagens do judaísmo".

Que Nossa Senhora nos obtenha a graça de um zelo pela Santa Igreja maior do que a dedicação de Neemias por Jerusalém.


Por Paulo Francisco Martos
(in - Noções de História Sagrada - 108)
................................................................................

1 - Cf. FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée - Le livre de Néhémie. 3. ed. Paris: Letouzey et aîné.1923, p. 281.
2 - Cf. Idem, ibidem p. 281.
3 - Cf. Idem, ibidem, p. 285.
4 - Cf. Idem, ibidem, p. 297.
5 - Cf. Idem, ibidem, p. 309.
6 - Cf. Idem, ibidem, p. 325-326.
7 - Cf. Idem, ibidem, p. 326.
8 - Cf. Idem, ibidem, p. 329.

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Com uma das mãos trabalhavam, com a outra seguravam a arma

Redação (Segunda-feira, 17-04-2017, Gaudium Press) Esdras começara a reerguer as muralhas de Jerusalém, mas as intrigas dos samaritanos impediram a obra. Esses fatos chegaram ao conhecimento de Neemias, que residia na Pérsia, onde exercia importantes funções junto ao Rei Artaxerxes Longímano, o qual reinou de 465 a 424 a. C.

Neemias organiza a defesa

Neemias vestiu-se de luto, jejuou, rezou e começou a agir sapiencialmente. Dirigiu-se ao monarca e pediu-lhe licença para se desligar de seu cargo, por certo tempo. Artaxerxes o dispensou e o nomeou governador da Judeia - que era, então, uma província persa - e deu-lhe as madeiras necessárias para a reconstrução das muralhas, bem como uma escolta de soldados. Escreve Neemias: "O Rei concedeu-me tudo, pois a bondosa mão de Deus me protegia" (2, 8).

Chegando a Jerusalém, Neemias inicia os trabalhos; até mesmo o sumo sacerdote Eliasib e os outros sacerdotes puseram mãos à obra (cf. Ne 3, 1).

Porém os inimigos do povo eleito começaram insultar os que trabalhavam na reconstrução. Entre aqueles se destacavam dois indivíduos, um dos quais era provavelmente o governador da Samaria, e o outro era seu secretário, que se chamava Tobias. Neemias não desanimou, mas rezou a Deus, dizendo: "Faze recair os insultos sobre suas cabeças. Entrega-os como presa em terras de cativeiro" (Ne 3, 36).

O valoroso Neemias continuou as obras e as muralhas atingiram certa altura. Então os samaritanos, apoiados por árabes e grupos de outros povos, "conspiraram todos para marchar contra Jerusalém" (Ne 4, 2).

Neemias organizou a defesa: dispôs os homens, "divididos por famílias, todos com espadas, lanças e arcos" (Ne 4, 7). E disse-lhes: Não tenhais medo! "Lembrai-vos do Senhor, que é grande e temível" (Ne 4, 8).

A partir desse dia, os carregadores "com uma das mãos faziam o trabalho, com a outra seguravam a arma. Os construtores tinham cada qual a espada presa à cintura, enquanto trabalhavam" (Ne 4, 11-12). E assim exerciam suas funções desde a madrugada até o início da noite.

"A alegria do Senhor será a vossa força"

Além das dificuldades exteriores, Neemias encontrou obstáculos provenientes dos próprios judeus: a usura praticada de uma maneira ignominiosa e cruel, que ele desconhecia, pois fora nomeado recentemente governador de Judá. Neemias ataca corajosamente esse abuso e o elimina.

Os inimigos fazem outras urdiduras para perder Neemias, mas ele não se deixa enganar (cf. Ne 6, 1-14). E, empregando todo esforço na construção das muralhas, Neemias conclui a obra.

Logo depois, o povo se reuniu numa das praças de Jerusalém e o santo sacerdote Esdras fez a leitura do Livro da Lei, "desde o amanhecer até ao meio-dia [...] Todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei" (Ne 8, 3.9), porque se recordavam das muitas e graves transgressões que haviam praticado. Mas Esdras e Neemias disseram-lhes que deveriam ficar tranquilos, e acrescentaram:

"A alegria do Senhor será a vossa força" (Ne 8, 10). Ou seja, a alegria das festas religiosas fortifica a alma para as provas que virão.

Procissões sobre as muralhas

Nos dias posteriores, foram celebradas outras festas, ao término das quais os levitas fizeram uma belíssima oração a Deus; destacamos este trecho relativo aos hebreus que saíram do Egito, guiados por Moisés, rumo à Terra Prometida:

"Por quarenta anos no deserto os sustentaste, sem que nada lhes faltasse. As roupas não se gastaram, nem incharam os seus pés" (Ne 9, 21).

Assim também nós devemos sempre nos recordar das graças que recebemos, e agradecer a Nosso Senhor, por meio de Maria Santíssima.

Por fim, sacerdotes, levitas e os notáveis de Judá assinaram um documento comprometendo-se a cumprir todas as determinações da Lei, em particular rejeitar as uniões matrimoniais com os pagãos. E o restante do povo jurou solenemente observar a Lei mosaica (cf. Ne 10, 29-30).

Aproximadamente doze anos após o término da construção das muralhas, realizou-se uma grande solenidade com procissões sobre os muros, encabeçadas pelo santo sacerdote Esdras e por Neemias - as muralhas das cidades antigas eram geralmente largas -, acompanhadas de cânticos e músicas tocadas por címbalos, cítaras e harpas. E finalmente foram oferecidos sacrifícios (cf. Ne 12, 27-43).

Neemias permaneceu em Jerusalém durante 12 anos. O prazo da licença concedida pelo Rei Artaxerxes havia terminado, e ele precisou voltar para a Pérsia; mas conseguiu nova autorização e efetuou uma segunda viagem à cidade santa (cf. Ne 13, 6).

Escândalo no lugar santo

Na ausência de Neemias, o sumo sacerdote Eliasib, sendo parente do supracitado Tobias, pôs à disposição deste uma grande sala de um dos aposentos anexos ao Templo. Esse indivíduo, que era amonita - portanto não judeu -, fizera grandes zombarias contra Neemias, quando este iniciou sua obra de reconstrução das muralhas de Jerusalém (cf. Ne 2, 10 e 3, 35).

Escreve Neemias: Quando "tomei conhecimento do mal feito por Eliasib [...] cheio de indignação atirei os trastes de Tobias fora da sala, para a rua, e mandei que aquelas dependências fossem purificadas" (13, 7-9).

A admirável combatividade de Neemias continuou a se manifestar. Tendo visto judeus que se casaram com mulheres idólatras, escreve ele: "Eu os censurei, os amaldiçoei, até bati em alguns deles, os agarrei pelos cabelos [...] Acaso não foi por isso que Salomão, Rei de Israel, se tornou pecador? " (Ne 13, 25-26). Ou seja, Salomão caiu até na idolatria...

E a um desses transgressores, que era neto do sumo sacerdote Eliasib, "escorracei para longe de mim" porque tais transgressores eram responsáveis pela "conspurcação do sacerdócio e da aliança" (Ne 13, 28-29).

E assim termina o Livro de Neemias, o qual "denota uma alma valente, profundamente devotada à glória de Deus e ao bem da nação judaica, não recuando diante de nenhum obstáculo [...] Neemias é um dos mais ilustres personagens do judaísmo".

Que Nossa Senhora nos obtenha a graça de um zelo pela Santa Igreja maior do que a dedicação de Neemias por Jerusalém.


Por Paulo Francisco Martos
(in - Noções de História Sagrada - 108)
................................................................................

1 - Cf. FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée - Le livre de Néhémie. 3. ed. Paris: Letouzey et aîné.1923, p. 281.
2 - Cf. Idem, ibidem p. 281.
3 - Cf. Idem, ibidem, p. 285.
4 - Cf. Idem, ibidem, p. 297.
5 - Cf. Idem, ibidem, p. 309.
6 - Cf. Idem, ibidem, p. 325-326.
7 - Cf. Idem, ibidem, p. 326.
8 - Cf. Idem, ibidem, p. 329.

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/86657-Com-uma-das-maos-trabalhavam--com-a-outra-seguravam-a-arma. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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