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Fé na ressurreição dos mortos
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5 de Junho de 2017 / 0 Comentários
 
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Redação, (Segunda-feira, 05-06-2017, Gaudium Press) - Muitos judeus aderiram ao paganismo propugnado por Antíoco Epífanes e seus asseclas. Mas houve outros que reagiram heroicamente contra a impiedade.

Um varão de 90 anos de idade é martirizado


Eleazar, de idade avançada, era um dos mais eminentes escribas. Queriam obrigá-lo, sob pena de morte, a comer carne de porco, o que estava explicitamente proibido pela Lei (cf. Lv 11, 7).

"Mas ele, preferindo morte gloriosa a uma vida em desonra, encaminhou-se espontaneamente para o suplício" (II Mc 6, 19).
Os que outrora eram seus amigos, tomando-o à parte, pediram-lhe que mandasse vir carne permitida, por ele mesmo preparada, e a comesse fingindo que estava se servindo da carne prescrita por Antíoco. Assim, diziam, ele ficaria livre da morte.

Entretanto o valoroso ancião recusou essa falsidade, afirmando:

"Isto levaria muitos jovens a se persuadirem de que Eleazar, aos noventa anos, passou para os costumes pagãos. E por causa do meu fingimento, por um pequeno resto de vida, eles seriam enganados por mim, enquanto, de minha parte, eu só ganharia mancha e desprezo para a minha velhice.

"De resto, se no presente eu escapasse da penalidade humana, não conseguiria, nem vivo nem depois de morto, fugir das mãos do Todo-poderoso. Por isso, partindo da vida agora, com coragem, eu me mostrarei digno da minha velhice. E aos jovens deixarei o exemplo de como se deve morrer honrosamente, com prontidão e valentia, pelas veneráveis e santas leis" (II Mc 6, 24-28).

Foi, então, flagelado até exalar o último suspiro, tornando-se "exemplo de coragem e memorial de virtude, não só para os jovens, mas para a grande maioria do seu povo" (II Mc 6, 31).

Torturados e queimados


Outro fato digno de admiração aconteceu em Antioquia, capital do reino sírio, onde vivia o nefando Antíoco Epífanes. É narrado no Segundo Livro dos Macabeus (7, 1-41).

Sete irmãos, junto com sua mãe, estavam sendo torturados com chicotes diante do próprio Rei Antíoco, por não comerem carne suína.

O primeiro deles falou ao monarca: "Estamos prontos a morrer, antes que transgredir as leis de nossos antepassados."

Enfurecido, Antíoco ordenou que se pusessem ao fogo assadeiras e se cortasse a língua desse primeiro, lhe arrancassem o couro cabeludo e lhe decepassem as mãos e os pés, à vista dos outros irmãos e de sua mãe. Depois, o jogassem na assadeira. Enquanto ele era queimado, os outros, junto com a mãe, animavam-se mutuamente a morrer com coragem.

Em seguida, os outros seis foram torturados de modo semelhante. O segundo, estando quase a expirar, disse a Antíoco: "Tu, ó malvado, nos tiras da vida presente. Mas o Rei do universo nos fará ressurgir para uma vida eterna, a nós que morremos por suas Leis! "

O terceiro, que era adolescente, também manifestou sua fé na ressurreição da carne.

O quarto fez declaração semelhante, acrescentando: "Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida." Esclarece Fillion: "Os maus também ressuscitarão, mas não para a vida, como diz tão bem o santo jovem, e conforme atestam outras passagens do Antigo Testamento (cf. Dn 12, 2 etc.)."

Depois foi torturado o quinto irmão que, fixando os olhos no monarca, disse: "Não penses [...] que o nosso povo foi abandonado por Deus. Espera um pouco, e verás a majestade do seu poder, como há de atormentar-te, a ti e à tua descendência! "
Palavras análogas foram ditas pelo sexto irmão.

Uma mulher heroica, digna de abençoada memória


"Mas sobremaneira admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, a qual [...] soube portar-se animosamente por causa da esperança que tinha no Senhor. A cada um deles exortava [...] cheia de coragem e animando com força varonil a sua ternura feminina."

Como restasse o filho mais novo, Antíoco prometeu que lhe daria altos cargos e o faria rico, se renunciasse à verdadeira religião. Porque o jovem não lhe dava a menor atenção, o rei dirigiu-se à mãe pedindo-lhe que o aconselhasse a aceitar essa proposta.
A heroica mulher fez, então, esta belíssima declaração de fé:

"Eu te suplico, filho, contempla o céu e a Terra e o que neles existe. Reconhece que Deus os fez do que não existia, e que assim também se originou a humanidade. Não tenhas medo desse carrasco. Ao contrário, tornando-te digno de teus irmãos, enfrenta a morte, para que eu te recupere com eles no tempo da misericórdia."

E o jovem, manifestando sua fidelidade a Deus, increpou Antíoco: "Tu, porém, ó ímpio e o pior dos criminosos do mundo, não te exaltes em vão [...] Pois ainda não escapaste ao julgamento do Deus todo-poderoso, que tudo vê.

"Quanto aos meus irmãos, tendo suportado agora um sofrimento momentâneo, morreram pela aliança de Deus, por uma vida eterna. Tu, porém, pelo julgamento de Deus, hás de receber os justos castigos da tua soberba."
"Enfurecido, o rei tratou a este com crueldade ainda mais feroz do que aos outros [...] Assim também este morreu sem mancha, confiando totalmente no Senhor."

E por último foi morta a mãe. Tudo isso ocorreu num só dia.

Que Maria Santíssima nos obtenha a graça da compenetração de que, não cedendo à onda de pecados que avassala toda a Terra e cumprindo os Mandamentos, um dia ressuscitaremos para a vida e seremos levados de corpo e alma ao Céu.

Por Paulo Francisco Martos
(in "Noções de História Sagrada - 113)

.......................................................................................

1 - FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée - Le second Livre des Machabées. 3. ed. Paris: Letouzey et aîné.1923, p. 834.
2 - FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée - Le second Livre des Machabées. 3. ed. Paris: Letouzey et aîné.1923, p. 837.

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Fé na ressurreição dos mortos

Redação, (Segunda-feira, 05-06-2017, Gaudium Press) - Muitos judeus aderiram ao paganismo propugnado por Antíoco Epífanes e seus asseclas. Mas houve outros que reagiram heroicamente contra a impiedade.

Um varão de 90 anos de idade é martirizado


Eleazar, de idade avançada, era um dos mais eminentes escribas. Queriam obrigá-lo, sob pena de morte, a comer carne de porco, o que estava explicitamente proibido pela Lei (cf. Lv 11, 7).

"Mas ele, preferindo morte gloriosa a uma vida em desonra, encaminhou-se espontaneamente para o suplício" (II Mc 6, 19).
Os que outrora eram seus amigos, tomando-o à parte, pediram-lhe que mandasse vir carne permitida, por ele mesmo preparada, e a comesse fingindo que estava se servindo da carne prescrita por Antíoco. Assim, diziam, ele ficaria livre da morte.

Entretanto o valoroso ancião recusou essa falsidade, afirmando:

"Isto levaria muitos jovens a se persuadirem de que Eleazar, aos noventa anos, passou para os costumes pagãos. E por causa do meu fingimento, por um pequeno resto de vida, eles seriam enganados por mim, enquanto, de minha parte, eu só ganharia mancha e desprezo para a minha velhice.

"De resto, se no presente eu escapasse da penalidade humana, não conseguiria, nem vivo nem depois de morto, fugir das mãos do Todo-poderoso. Por isso, partindo da vida agora, com coragem, eu me mostrarei digno da minha velhice. E aos jovens deixarei o exemplo de como se deve morrer honrosamente, com prontidão e valentia, pelas veneráveis e santas leis" (II Mc 6, 24-28).

Foi, então, flagelado até exalar o último suspiro, tornando-se "exemplo de coragem e memorial de virtude, não só para os jovens, mas para a grande maioria do seu povo" (II Mc 6, 31).

Torturados e queimados


Outro fato digno de admiração aconteceu em Antioquia, capital do reino sírio, onde vivia o nefando Antíoco Epífanes. É narrado no Segundo Livro dos Macabeus (7, 1-41).

Sete irmãos, junto com sua mãe, estavam sendo torturados com chicotes diante do próprio Rei Antíoco, por não comerem carne suína.

O primeiro deles falou ao monarca: "Estamos prontos a morrer, antes que transgredir as leis de nossos antepassados."

Enfurecido, Antíoco ordenou que se pusessem ao fogo assadeiras e se cortasse a língua desse primeiro, lhe arrancassem o couro cabeludo e lhe decepassem as mãos e os pés, à vista dos outros irmãos e de sua mãe. Depois, o jogassem na assadeira. Enquanto ele era queimado, os outros, junto com a mãe, animavam-se mutuamente a morrer com coragem.

Em seguida, os outros seis foram torturados de modo semelhante. O segundo, estando quase a expirar, disse a Antíoco: "Tu, ó malvado, nos tiras da vida presente. Mas o Rei do universo nos fará ressurgir para uma vida eterna, a nós que morremos por suas Leis! "

O terceiro, que era adolescente, também manifestou sua fé na ressurreição da carne.

O quarto fez declaração semelhante, acrescentando: "Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida." Esclarece Fillion: "Os maus também ressuscitarão, mas não para a vida, como diz tão bem o santo jovem, e conforme atestam outras passagens do Antigo Testamento (cf. Dn 12, 2 etc.)."

Depois foi torturado o quinto irmão que, fixando os olhos no monarca, disse: "Não penses [...] que o nosso povo foi abandonado por Deus. Espera um pouco, e verás a majestade do seu poder, como há de atormentar-te, a ti e à tua descendência! "
Palavras análogas foram ditas pelo sexto irmão.

Uma mulher heroica, digna de abençoada memória


"Mas sobremaneira admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, a qual [...] soube portar-se animosamente por causa da esperança que tinha no Senhor. A cada um deles exortava [...] cheia de coragem e animando com força varonil a sua ternura feminina."

Como restasse o filho mais novo, Antíoco prometeu que lhe daria altos cargos e o faria rico, se renunciasse à verdadeira religião. Porque o jovem não lhe dava a menor atenção, o rei dirigiu-se à mãe pedindo-lhe que o aconselhasse a aceitar essa proposta.
A heroica mulher fez, então, esta belíssima declaração de fé:

"Eu te suplico, filho, contempla o céu e a Terra e o que neles existe. Reconhece que Deus os fez do que não existia, e que assim também se originou a humanidade. Não tenhas medo desse carrasco. Ao contrário, tornando-te digno de teus irmãos, enfrenta a morte, para que eu te recupere com eles no tempo da misericórdia."

E o jovem, manifestando sua fidelidade a Deus, increpou Antíoco: "Tu, porém, ó ímpio e o pior dos criminosos do mundo, não te exaltes em vão [...] Pois ainda não escapaste ao julgamento do Deus todo-poderoso, que tudo vê.

"Quanto aos meus irmãos, tendo suportado agora um sofrimento momentâneo, morreram pela aliança de Deus, por uma vida eterna. Tu, porém, pelo julgamento de Deus, hás de receber os justos castigos da tua soberba."
"Enfurecido, o rei tratou a este com crueldade ainda mais feroz do que aos outros [...] Assim também este morreu sem mancha, confiando totalmente no Senhor."

E por último foi morta a mãe. Tudo isso ocorreu num só dia.

Que Maria Santíssima nos obtenha a graça da compenetração de que, não cedendo à onda de pecados que avassala toda a Terra e cumprindo os Mandamentos, um dia ressuscitaremos para a vida e seremos levados de corpo e alma ao Céu.

Por Paulo Francisco Martos
(in "Noções de História Sagrada - 113)

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1 - FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée - Le second Livre des Machabées. 3. ed. Paris: Letouzey et aîné.1923, p. 834.
2 - FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée - Le second Livre des Machabées. 3. ed. Paris: Letouzey et aîné.1923, p. 837.

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/87756-Fe-na-ressurreicao-dos-mortos. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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