Loading
 
 
 
Loading
 
Quando Deus conduz um homem…
Loading
 
16 de Agosto de 2017 / 0 Comentários
 
Imprimir
 
 

Redação (Quarta-feira, 16-08-2017, Gaudium Press) Belo erguia-se o castelo de Kerlois, da família Keriolet, de elevada linhagem da Bretanha. Nascido o único filho varão em 1602, o horizonte familiar começa a se toldar, pois o menino, chamado Pierre, logo se revelou indisciplinado e desobediente.

Quando Deus conduz um homem...

Mandaram-no para ser educado com os jesuítas. Ali sua diversão era roubar o chapéu e o manto dos alunos e debicar dos sacerdotes. Seus pais, aflitos, tentavam reconduzi-lo ao bom caminho, ora com castigos, ora com afagos. Tudo se mostrava inútil! Despediram-no de casa.

Errante, pobre e orgulhoso, Pierre foi parar na rua. Entretanto, quando soube da morte do pai, exultou de alegria: estava rico! Voltando ao castelo, esbanjava seus bens numa vida dissoluta, e nada o amedrontava. Nem mesmo os vários avisos recebidos da Providência.

Numa noite de tempestade, Pierre dormia quando um raio atingiu sua cama: a metade em que ele estava ficou intacta e a outra em chamas. Irado, ele apanhou a pistola e atirou para o Céu, em desafio a Deus que se "atrevia" a ameaçá-lo.

Certo dia, foi a uma cidade vizinha com uns amigos para se divertir. No caminho, foram assaltados e espancados. Ficando gravemente ferido, ele fez uma promessa a Nossa Senhora de Liesse: visitaria seu santuário se não morresse. Passado o perigo, foi-se a piedade de Pierre. Apenas rezava todos os dias três Ave-Marias, sem saber por que o fazia...

Em outra ocasião, sonhou que descia uma rampa vertiginosa, ouvindo risos estridentes, blasfêmias e zombarias, cada vez mais próximas: estava no inferno. Assustado, despertou, decidido a mudar de vida, e ingressou na Cartuxa... onde morou oito dias!

De volta ao século, a vida de antes não o contentava mais e tornou-se ainda pior. Até que soube das ursulinas de Loudun - caso famoso em toda a França -, que, sem culpa própria, ficaram possuídas pelo Maligno. Quanto mais elevado fosse o posto da religiosa na hierarquia conventual, mais demônios tinha no corpo. Já havia alguns meses que se faziam contínuos exorcismos.

Todas as pessoas receavam acercar-se da cidade, Pierre quis mostrar sua bravura e, por orgulho, para lá se dirigiu. Ao deparar-se com a capela do mosteiro, decidiu entrar: viu uma religiosa debatendo-se no chão e vociferando, não obstante as ordens do exorcista. O jovem julgou ser este um espetáculo atraente e divertido, e sentou-se no fundo da igreja. A possessa voltou-se para ele e disse:

- Oh, meu amigo, que fazes aqui?
Ante o assombro dos assistentes, Pierre não se espantou:

- Vim para meus afazeres...

- Sim, para teus afazeres - respondeu o demônio num tom sarcástico - Tu nem sabes o que estás fazendo!


Pierre gostou desta primeira experiência e se propôs voltar. Por nove dias nada de extraordinário aconteceu. No décimo dia, entretanto, como o demônio não saía, o padre lhe perguntou:

- Por que te recusas a sair?

- É porque Ela não me dá permissão, até que aquele homem se converta!


A possessa voltou-se e apontou para Pierre que, desta vez, ficou terrificado!

O demônio pôs-se a blasfemar e a acusar a justiça de Deus, por ter Ele condenado tantos anjos por um só pecado e por querer perdoar aquele homem abominável:

- Ó miserável, eu julgava possuir-te e te levava ao inferno, até que fizeste a Nossa Senhora de Liesse aquele voto que nunca chegaste a cumprir. Ingrato e indigno das prodigalidades desta Virgem!

Quando Deus conduz um homem...Blasfemador e ateu! É possível que tal homem receba misericórdia? Ó injustiça divina!

Pierre estava vencido. Arrependeu-se no mesmo momento e fez uma confissão pública. No outro dia; prosternado na igreja, expiando seus pecados, Pierre viu começar novo exorcismo. O demônio, furioso por tal perda, não se continha:

- Ele está em tal estado que, se continua assim, estará tão alto no Céu como esteve fundo no inferno conosco.

- Quem trabalha tão poderosamente para sua salvação? - perguntou o sacerdote.

- É a Virgem Maria, a grande amiga deste homem! - respondeu o demônio.


Pierre passou a ser ardente devoto de sua Benfeitora e foi ordenado sacerdote por vontade expressa d'Ela, tornando-se ele próprio exorcista, pelo que o demônio sempre esbravejava por obedecer a quem antes lhe servira. Em seu túmulo, uma frase resume sua vida:


"Aqui jaz Pierre de Keriolet, conquista de Maria. Ela o tornou seu fiel e zeloso servidor".

* * * * *

Por Irmã Maria Beatriz Ribeiro Matos, EP

(Do Instituto Filosófico-Teológico Santa Escolástica - IFTE)

Loading
Quando Deus conduz um homem…

Redação (Quarta-feira, 16-08-2017, Gaudium Press) Belo erguia-se o castelo de Kerlois, da família Keriolet, de elevada linhagem da Bretanha. Nascido o único filho varão em 1602, o horizonte familiar começa a se toldar, pois o menino, chamado Pierre, logo se revelou indisciplinado e desobediente.

Quando Deus conduz um homem...

Mandaram-no para ser educado com os jesuítas. Ali sua diversão era roubar o chapéu e o manto dos alunos e debicar dos sacerdotes. Seus pais, aflitos, tentavam reconduzi-lo ao bom caminho, ora com castigos, ora com afagos. Tudo se mostrava inútil! Despediram-no de casa.

Errante, pobre e orgulhoso, Pierre foi parar na rua. Entretanto, quando soube da morte do pai, exultou de alegria: estava rico! Voltando ao castelo, esbanjava seus bens numa vida dissoluta, e nada o amedrontava. Nem mesmo os vários avisos recebidos da Providência.

Numa noite de tempestade, Pierre dormia quando um raio atingiu sua cama: a metade em que ele estava ficou intacta e a outra em chamas. Irado, ele apanhou a pistola e atirou para o Céu, em desafio a Deus que se "atrevia" a ameaçá-lo.

Certo dia, foi a uma cidade vizinha com uns amigos para se divertir. No caminho, foram assaltados e espancados. Ficando gravemente ferido, ele fez uma promessa a Nossa Senhora de Liesse: visitaria seu santuário se não morresse. Passado o perigo, foi-se a piedade de Pierre. Apenas rezava todos os dias três Ave-Marias, sem saber por que o fazia...

Em outra ocasião, sonhou que descia uma rampa vertiginosa, ouvindo risos estridentes, blasfêmias e zombarias, cada vez mais próximas: estava no inferno. Assustado, despertou, decidido a mudar de vida, e ingressou na Cartuxa... onde morou oito dias!

De volta ao século, a vida de antes não o contentava mais e tornou-se ainda pior. Até que soube das ursulinas de Loudun - caso famoso em toda a França -, que, sem culpa própria, ficaram possuídas pelo Maligno. Quanto mais elevado fosse o posto da religiosa na hierarquia conventual, mais demônios tinha no corpo. Já havia alguns meses que se faziam contínuos exorcismos.

Todas as pessoas receavam acercar-se da cidade, Pierre quis mostrar sua bravura e, por orgulho, para lá se dirigiu. Ao deparar-se com a capela do mosteiro, decidiu entrar: viu uma religiosa debatendo-se no chão e vociferando, não obstante as ordens do exorcista. O jovem julgou ser este um espetáculo atraente e divertido, e sentou-se no fundo da igreja. A possessa voltou-se para ele e disse:

- Oh, meu amigo, que fazes aqui?
Ante o assombro dos assistentes, Pierre não se espantou:

- Vim para meus afazeres...

- Sim, para teus afazeres - respondeu o demônio num tom sarcástico - Tu nem sabes o que estás fazendo!


Pierre gostou desta primeira experiência e se propôs voltar. Por nove dias nada de extraordinário aconteceu. No décimo dia, entretanto, como o demônio não saía, o padre lhe perguntou:

- Por que te recusas a sair?

- É porque Ela não me dá permissão, até que aquele homem se converta!


A possessa voltou-se e apontou para Pierre que, desta vez, ficou terrificado!

O demônio pôs-se a blasfemar e a acusar a justiça de Deus, por ter Ele condenado tantos anjos por um só pecado e por querer perdoar aquele homem abominável:

- Ó miserável, eu julgava possuir-te e te levava ao inferno, até que fizeste a Nossa Senhora de Liesse aquele voto que nunca chegaste a cumprir. Ingrato e indigno das prodigalidades desta Virgem!

Quando Deus conduz um homem...Blasfemador e ateu! É possível que tal homem receba misericórdia? Ó injustiça divina!

Pierre estava vencido. Arrependeu-se no mesmo momento e fez uma confissão pública. No outro dia; prosternado na igreja, expiando seus pecados, Pierre viu começar novo exorcismo. O demônio, furioso por tal perda, não se continha:

- Ele está em tal estado que, se continua assim, estará tão alto no Céu como esteve fundo no inferno conosco.

- Quem trabalha tão poderosamente para sua salvação? - perguntou o sacerdote.

- É a Virgem Maria, a grande amiga deste homem! - respondeu o demônio.


Pierre passou a ser ardente devoto de sua Benfeitora e foi ordenado sacerdote por vontade expressa d'Ela, tornando-se ele próprio exorcista, pelo que o demônio sempre esbravejava por obedecer a quem antes lhe servira. Em seu túmulo, uma frase resume sua vida:


"Aqui jaz Pierre de Keriolet, conquista de Maria. Ela o tornou seu fiel e zeloso servidor".

* * * * *

Por Irmã Maria Beatriz Ribeiro Matos, EP

(Do Instituto Filosófico-Teológico Santa Escolástica - IFTE)

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/89283-Quando-Deus-conduz-um-homem-hellip-. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

Deixe seu comentário
O seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados (*) são obrigatórios.



 
Loading
GaudiumRightPubli
Loading

Segundo o purpurado, “um cristão não pode deixar de ser alegre, otimista, e ter uma concepção ...
 
Igreja indiana na linha de frente nas horas dramáticas, quando o Estado de Kerala sofre violentas c ...
 
O Encontro Mundial das Famílias será realizado entre os dias 22 a 26 de agosto na Irlanda. ...
 
O Padre Pedro Pablo Garín, Vigário da Vida Consagrada, presidiu a Missa. ...
 
Um monge sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no alto de uma montanha de dif ...
 
Loading


O que estão twitando sobre o

Loading


 
 

Loading

Loading