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É belo crer na luz!
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9 de Março de 2018 / 0 Comentários
 
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Redação (Sexta-feira, 09-03-2018, Gaudium Press) Claude Lorrain, famoso pintor francês do século XVII, dotado de um estilo luminoso e poético, soube representar em seus quadros aquilo sem o qual - nas palavras de Edmond Rostand - as coisas não seriam senão o que elas são. Algumas das suas aprazíveis telas são iluminadas pelo esplendor do alvorecer. Sem fazer ruído e sem se apressar, sobrepujando paulatinamente em brilho todos os outros astros celestes, o sol desperta como de um sono profundo e começa, de modo discreto, a acordar a natureza, dando vida a mais uma jornada.


Outras cenas transcorrem à brilhante luz do meio-dia, ou sob o límpido céu de uma tarde de primavera. É a hora do triunfo. Num esforço magnífico e colossal, o sol se desdobra, por assim dizer, em luz e calor, cobre a superfície da terra e dá-lhe outro colorido.

9É belo crer na luz!.jpg

No entardecer, encerrada sua missão, o astro rei se retira com dignidade, reduzindo aos poucos suas feéricas manifestações, para ceder lugar à lua, que apenas o reflete de forma tênue. Tudo se faz trevas e quietude. Por meio de um profundo silêncio, os seres vivos reverenciam sua majestade celeste, na certeza de um novo amanhecer que fenderá a escuridão da noite, enchendo tudo de luz mais uma vez.

Algo de análogo acontece quando a luz da graça divina ilumina as almas dos homens: ora ela as favorece com afagos, ora as prova com suas demoras... ora, enfim, as repreende por seus erros, ou até parece retirar-se do firmamento, como em um ocaso.

Há certos momentos nos quais ela nos acompanha como o sol do meio-dia, e se nos fosse pedido um grande sacrifício, fá-lo-íamos generosamente. Entretanto, em outras situações, a mão benfazeja de Deus parece retirar-se, obrigando-nos a caminhar sem deixar de crer nessa luz, que não vemos mais.

Agindo assim, a Providência parece nos dizer: "Meu filho, já experimentaste a doçura da graça e compreendeste quão maravilhoso é o seu auxílio. Agora vou provar-te. Sê fiel nas horas em que não me sentires ao teu lado, nas ocasiões em que tudo parece anoitecer para tua alma. Pelo fato de estares agora na aridez, não penses que as consolações nunca mais voltarão. Quero tornar patente tua boa disposição interior, dar ensejo a manifestares tua gratidão por tudo quanto já fiz por ti...".

Devemos admirar o aspecto fabuloso das coisas quando vistas sob a luz de um sol magnífico, como nos quadros de Claude Lorrain, certos de que sua beleza não se extinguirá ao anoitecer, mas renascerá na aurora. Da mesma forma, em nossa vida espiritual, procuremos guardar sempre a recordação das cintilações da graça divina, ainda quando esta pareça nos faltar. E nas trevas da noite, esforcemo-nos por continuar amando os maravilhosos horizontes descortinados por ela... pois, como exprimiu belamente o mesmo Edmond Rostand: "É durante a noite que é belo crer na luz!".

 

Por Irmã Raphaela Nogueira Thomás
(in "Revista Arautos do Evangelho", Out/2010, n. 106, p. 50-51)

 

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É belo crer na luz!

Redação (Sexta-feira, 09-03-2018, Gaudium Press) Claude Lorrain, famoso pintor francês do século XVII, dotado de um estilo luminoso e poético, soube representar em seus quadros aquilo sem o qual - nas palavras de Edmond Rostand - as coisas não seriam senão o que elas são. Algumas das suas aprazíveis telas são iluminadas pelo esplendor do alvorecer. Sem fazer ruído e sem se apressar, sobrepujando paulatinamente em brilho todos os outros astros celestes, o sol desperta como de um sono profundo e começa, de modo discreto, a acordar a natureza, dando vida a mais uma jornada.


Outras cenas transcorrem à brilhante luz do meio-dia, ou sob o límpido céu de uma tarde de primavera. É a hora do triunfo. Num esforço magnífico e colossal, o sol se desdobra, por assim dizer, em luz e calor, cobre a superfície da terra e dá-lhe outro colorido.

9É belo crer na luz!.jpg

No entardecer, encerrada sua missão, o astro rei se retira com dignidade, reduzindo aos poucos suas feéricas manifestações, para ceder lugar à lua, que apenas o reflete de forma tênue. Tudo se faz trevas e quietude. Por meio de um profundo silêncio, os seres vivos reverenciam sua majestade celeste, na certeza de um novo amanhecer que fenderá a escuridão da noite, enchendo tudo de luz mais uma vez.

Algo de análogo acontece quando a luz da graça divina ilumina as almas dos homens: ora ela as favorece com afagos, ora as prova com suas demoras... ora, enfim, as repreende por seus erros, ou até parece retirar-se do firmamento, como em um ocaso.

Há certos momentos nos quais ela nos acompanha como o sol do meio-dia, e se nos fosse pedido um grande sacrifício, fá-lo-íamos generosamente. Entretanto, em outras situações, a mão benfazeja de Deus parece retirar-se, obrigando-nos a caminhar sem deixar de crer nessa luz, que não vemos mais.

Agindo assim, a Providência parece nos dizer: "Meu filho, já experimentaste a doçura da graça e compreendeste quão maravilhoso é o seu auxílio. Agora vou provar-te. Sê fiel nas horas em que não me sentires ao teu lado, nas ocasiões em que tudo parece anoitecer para tua alma. Pelo fato de estares agora na aridez, não penses que as consolações nunca mais voltarão. Quero tornar patente tua boa disposição interior, dar ensejo a manifestares tua gratidão por tudo quanto já fiz por ti...".

Devemos admirar o aspecto fabuloso das coisas quando vistas sob a luz de um sol magnífico, como nos quadros de Claude Lorrain, certos de que sua beleza não se extinguirá ao anoitecer, mas renascerá na aurora. Da mesma forma, em nossa vida espiritual, procuremos guardar sempre a recordação das cintilações da graça divina, ainda quando esta pareça nos faltar. E nas trevas da noite, esforcemo-nos por continuar amando os maravilhosos horizontes descortinados por ela... pois, como exprimiu belamente o mesmo Edmond Rostand: "É durante a noite que é belo crer na luz!".

 

Por Irmã Raphaela Nogueira Thomás
(in "Revista Arautos do Evangelho", Out/2010, n. 106, p. 50-51)

 

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/93652-E-belo-crer-na-luz-. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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