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Morte e ressurreição de São José
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10 de Abril de 2018 / 0 Comentários
 
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Redação (Terça-feira, 10-04-2018, Gaudium Press) Nos sacrais colóquios com seus pais, Nosso Senhor, tendo atingido vinte e cinco anos de idade, tratou também da luta entre a luz e as trevas.

10-Morte e ressurreição de São José.jpg

Discípulos perfeitos de Nosso Senhor

Assim, Ele "formava Nossa Senhora e São José com esmero e minuciosidade, pois eram seus discípulos perfeitos. Estes, por sua vez, O ouviam com enorme atenção e sumo respeito.

"Seus pais virginais discerniam com acuidade a decadência do povo eleito e percebiam que o pecado do deicídio estava em germe nas almas daqueles que esperavam um falso Messias dotado de grandes qualidades humanas, que só atenderia as necessidades materiais, elevando o padrão de vida mundana, sem exigir a conversão dos corações. Contra esse mal, São José e Nossa Senhora haviam combatido desde tenra infância.

"O desvio era gravíssimo e vinha de muito longe. Com efeito, as revoltas e infidelidades dos hebreus em sua caminhada de quarenta anos pelo deserto tinham em sua raiz o apego ao medíocre e acomodado status que haviam adquirido no Egito, e uma cegueira escandalosa em relação à ação do Onipotente.

As idades pelas quais passaria a Igreja

"Ainda nas abençoadas conversas da Sagrada Família, Nosso Senhor havia explicado a seus pais a fundação de sua Igreja e todas as lutas contra o mistério do mal que ela enfrentaria. Seu Corpo Místico atravessaria as mesmas idades por Ele santificadas ao longo de sua vida.

"Assim, em sua ‘infância' a Igreja seria débil e perseguida, como Ele o foi. Os primeiros séculos transcorreriam nas penumbras das catacumbas, em torno aos túmulos dos mártires. Em sua ‘juventude' gozaria de certa estabilidade e reinaria a paz, alcançada na futura Civilização Cristã, instituição profundamente marcada pela inocência e sacralidade que a Sagrada Família conservava na intimidade de Nazaré durante a vida oculta de Jesus.

"Ao atingir a sua ‘idade adulta', a Esposa de Cristo passaria por batalhas e disputas, como Ele deveria travá-las contra os fariseus eseus comparsas. Seria uma época de luta ferrenha entre a luz e as trevas, de perseguição implacável por parte do mal, que pretenderia, sem lográ-lo, extinguir o resplendor divino na Igreja. Por fim ela ressurgiria com a força e a glória do próprio Jesus Cristo em sua Ressurreição.

Nossa Senhora e São José se ofereceram como vítimas expiatórias

"A esses temas, tão sérios e profundos, somava-se uma série de previsões que Jesus fazia sobre sua Paixão e Morte. A intenção d'Ele era unir seus pais a seus sofrimentos, pois, dada a altíssima vocação de ambos, era preciso que também eles bebessem o cálice da dor por inteiro."

E explicava o trecho do Livro da Sabedoria: "Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir [...]. Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus' [...]. Sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis. Somos comparados por ele à moeda falsa e foge de nossos caminhos como de impurezas; proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por Pai" (Sb 2, 12-13.15-16).

"Como explicar que a simples presença de uma pessoa reta cause tanta indisposição e raiva? Nosso Senhor esclarecia a seus pais que o justo, só pelo fato de existir, é como um espinho encravado na carne dos maus, pois sua conduta dá a entender que as ações deles não são honestas.

"Em decorrência dos vícios que dominavam o coração de muitos fariseus e de boa parte da classe sacerdotal, aliás, bem conhecidos de Nossa Senhora e de São José, a vida pública de Nosso Senhor estaria cercada de ódio inexplicável e gratuito, que O levaria à morte, como predissera o mesmo Livro da Sabedoria: "Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus', Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, [...] vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, Deus virá em seu socorro" (Sb 2, 17-20).

"Em face dessas trágicas profecias, Nossa Senhora e São José assumiram como próprias todas as dores da Paixão, oferecendo-se em união com seu Filho como vítimas expiatórias de suavíssimo odor, a fim de atenuar seu sofrimento."

Perfume suave e varonil

Estando Nosso Senhor com vinte e oito anos, São José, assistido por seu Filho e sua virginal esposa, faleceu. Era um sábado. "De seu corpo inerte exalava um perfume indescritível, como bálsamo aromático ao mesmo tempo suave e varonil, que parecia ser a manifestação de suas virtudes.

"Jesus e sua Mãe Santíssima tomaram as providências devidas para oferecer a São José o sepultamento de um rei, na medida em que suas possibilidades Lhes permitiam. A Sagrada Família possuía um sepulcro em Nazaré, adquirido pelo próprio São José, que havia sido um administrador exímio, eficaz e totalmente desapegado.

"No domingo bem cedo acorreram ao túmulo quase todos os habitantes da cidade e vários parentes de Nossa Senhora. [...] O corpo de São José parecia estar submerso num castíssimo e suave sono, e não apresentava o menor sinal de corrupção. O cerimonial, embora realizado com simplicidade, foi abençoadíssimo. Nosso Senhor chorou, como o faria mais tarde diante do túmulo de Lázaro, com uma compostura régia. Também Nossa Senhora, emocionada, deixou transparecer a todos o profundíssimo afeto que nutria por seu virginal esposo.

"Quando tudo estava pronto para o sepultamento, o Divino Filho que José educara, tomado de emoção e carinho por seu pai, entoou belo cântico."

Inúmeros Santos, Doutores e teólogos afirmam que São José permaneceu intacto no túmulo durante uns cinco anos, e ressuscitou junto com Nosso Senhor. Monsenhor João Clá lança a hipótese de que ele "tenha ressuscitado poucos dias após sua morte, não como primogênito dentre os mortos, mas como o precursor de Cristo na Ressurreição".

 

Por Paulo Francisco Martos
(in Noções de História Sagrada - 146)

.................................................................
1 - CLÁ DIAS, João Scognamiglio, EP. São José: quem o conhece?... São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae. Arautos do Evangelho. 2017, p. 362.383.390 passim.

 

 

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Morte e ressurreição de São José

Redação (Terça-feira, 10-04-2018, Gaudium Press) Nos sacrais colóquios com seus pais, Nosso Senhor, tendo atingido vinte e cinco anos de idade, tratou também da luta entre a luz e as trevas.

10-Morte e ressurreição de São José.jpg

Discípulos perfeitos de Nosso Senhor

Assim, Ele "formava Nossa Senhora e São José com esmero e minuciosidade, pois eram seus discípulos perfeitos. Estes, por sua vez, O ouviam com enorme atenção e sumo respeito.

"Seus pais virginais discerniam com acuidade a decadência do povo eleito e percebiam que o pecado do deicídio estava em germe nas almas daqueles que esperavam um falso Messias dotado de grandes qualidades humanas, que só atenderia as necessidades materiais, elevando o padrão de vida mundana, sem exigir a conversão dos corações. Contra esse mal, São José e Nossa Senhora haviam combatido desde tenra infância.

"O desvio era gravíssimo e vinha de muito longe. Com efeito, as revoltas e infidelidades dos hebreus em sua caminhada de quarenta anos pelo deserto tinham em sua raiz o apego ao medíocre e acomodado status que haviam adquirido no Egito, e uma cegueira escandalosa em relação à ação do Onipotente.

As idades pelas quais passaria a Igreja

"Ainda nas abençoadas conversas da Sagrada Família, Nosso Senhor havia explicado a seus pais a fundação de sua Igreja e todas as lutas contra o mistério do mal que ela enfrentaria. Seu Corpo Místico atravessaria as mesmas idades por Ele santificadas ao longo de sua vida.

"Assim, em sua ‘infância' a Igreja seria débil e perseguida, como Ele o foi. Os primeiros séculos transcorreriam nas penumbras das catacumbas, em torno aos túmulos dos mártires. Em sua ‘juventude' gozaria de certa estabilidade e reinaria a paz, alcançada na futura Civilização Cristã, instituição profundamente marcada pela inocência e sacralidade que a Sagrada Família conservava na intimidade de Nazaré durante a vida oculta de Jesus.

"Ao atingir a sua ‘idade adulta', a Esposa de Cristo passaria por batalhas e disputas, como Ele deveria travá-las contra os fariseus eseus comparsas. Seria uma época de luta ferrenha entre a luz e as trevas, de perseguição implacável por parte do mal, que pretenderia, sem lográ-lo, extinguir o resplendor divino na Igreja. Por fim ela ressurgiria com a força e a glória do próprio Jesus Cristo em sua Ressurreição.

Nossa Senhora e São José se ofereceram como vítimas expiatórias

"A esses temas, tão sérios e profundos, somava-se uma série de previsões que Jesus fazia sobre sua Paixão e Morte. A intenção d'Ele era unir seus pais a seus sofrimentos, pois, dada a altíssima vocação de ambos, era preciso que também eles bebessem o cálice da dor por inteiro."

E explicava o trecho do Livro da Sabedoria: "Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir [...]. Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus' [...]. Sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis. Somos comparados por ele à moeda falsa e foge de nossos caminhos como de impurezas; proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por Pai" (Sb 2, 12-13.15-16).

"Como explicar que a simples presença de uma pessoa reta cause tanta indisposição e raiva? Nosso Senhor esclarecia a seus pais que o justo, só pelo fato de existir, é como um espinho encravado na carne dos maus, pois sua conduta dá a entender que as ações deles não são honestas.

"Em decorrência dos vícios que dominavam o coração de muitos fariseus e de boa parte da classe sacerdotal, aliás, bem conhecidos de Nossa Senhora e de São José, a vida pública de Nosso Senhor estaria cercada de ódio inexplicável e gratuito, que O levaria à morte, como predissera o mesmo Livro da Sabedoria: "Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus', Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, [...] vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, Deus virá em seu socorro" (Sb 2, 17-20).

"Em face dessas trágicas profecias, Nossa Senhora e São José assumiram como próprias todas as dores da Paixão, oferecendo-se em união com seu Filho como vítimas expiatórias de suavíssimo odor, a fim de atenuar seu sofrimento."

Perfume suave e varonil

Estando Nosso Senhor com vinte e oito anos, São José, assistido por seu Filho e sua virginal esposa, faleceu. Era um sábado. "De seu corpo inerte exalava um perfume indescritível, como bálsamo aromático ao mesmo tempo suave e varonil, que parecia ser a manifestação de suas virtudes.

"Jesus e sua Mãe Santíssima tomaram as providências devidas para oferecer a São José o sepultamento de um rei, na medida em que suas possibilidades Lhes permitiam. A Sagrada Família possuía um sepulcro em Nazaré, adquirido pelo próprio São José, que havia sido um administrador exímio, eficaz e totalmente desapegado.

"No domingo bem cedo acorreram ao túmulo quase todos os habitantes da cidade e vários parentes de Nossa Senhora. [...] O corpo de São José parecia estar submerso num castíssimo e suave sono, e não apresentava o menor sinal de corrupção. O cerimonial, embora realizado com simplicidade, foi abençoadíssimo. Nosso Senhor chorou, como o faria mais tarde diante do túmulo de Lázaro, com uma compostura régia. Também Nossa Senhora, emocionada, deixou transparecer a todos o profundíssimo afeto que nutria por seu virginal esposo.

"Quando tudo estava pronto para o sepultamento, o Divino Filho que José educara, tomado de emoção e carinho por seu pai, entoou belo cântico."

Inúmeros Santos, Doutores e teólogos afirmam que São José permaneceu intacto no túmulo durante uns cinco anos, e ressuscitou junto com Nosso Senhor. Monsenhor João Clá lança a hipótese de que ele "tenha ressuscitado poucos dias após sua morte, não como primogênito dentre os mortos, mas como o precursor de Cristo na Ressurreição".

 

Por Paulo Francisco Martos
(in Noções de História Sagrada - 146)

.................................................................
1 - CLÁ DIAS, João Scognamiglio, EP. São José: quem o conhece?... São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae. Arautos do Evangelho. 2017, p. 362.383.390 passim.

 

 

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/94365-Morte-e-ressurreicao-de-Sao-Jose. Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.



 

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